Astrofísicos Analisam Erros e Acertos Científicos
As discussões em torno da veracidade científica de “Devoradores de Estrelas” ganharam destaque nas redes sociais. Físicos, tanto profissionais quanto curiosos de sofá, levantaram questionamentos sobre temas como viagens interestelares e a fictícia vida extraterrestre apresentada no longa. Um dos pontos que mais intriga é a personagem Grace, que, mesmo sendo doutora em microbiologia, parece ter dificuldades em equilibrar uma centrífuga.
A trama do filme, que também é baseada em um livro, gira em torno de um micróbio chamado astrófago, um fungo espacial que supostamente adentra nosso sistema solar, absorvendo luz solar a ponto de levar a Terra a uma era glacial. Esse organismo ainda teria o poder de atacar outras estrelas, ameaçando a vida em diversos planetas. No entanto, Jillian Bellovary, astrofísica do CUNY Graduate Center, refutou a ideia, afirmando: “Nada pode drenar a luz do sol”. Para ela, embora a ideia seja interessante, não há fundamento na realidade.
Esse foi um ponto destacado por outro especialista, Popinchalk, que ressaltou a imensidão do Sol e de estrelas similares, que exigiriam uma quantidade absurda de micróbios para causar qualquer efeito em sua luminosidade.
Reclamações e Precisões Científicas
Outras críticas relacionadas ao filme incluem a transformação do gás xenônio em um sólido maleável, a sobrevivência e prosperidade de micróbios no vácuo do espaço e a ideia de que esses organismos poderiam fornecer energia para viagens interestelares. Charlotte Olsen, astrofísica do New York City College of Technology e especialista em formação de galáxias, comentou: “É uma ideia muito vaga”, mas também fez questão de frisar que a produção acerta em diversos outros aspectos, como a representação do silêncio no espaço e a física envolvida em uma caminhada espacial.
Ainda que as premissas do filme pareçam distantes da realidade, várias das sugestões apresentadas têm algum fundamento. O uso da luz como fonte de energia para espaçonaves, por exemplo, é uma possibilidade real e tem sido estudada por cientistas. Além disso, houve tentativas de cristalizar o xenônio, embora ainda não se consiga manipulá-lo como retratado por Rocky, o engenheiro alienígena que faz parcerias com Grace.
Entretanto, a inspiração para o conceito de que os astrófagos poderiam afetar o Sol pode parecer exagerada, mas a falta de luz realmente já provocou crises ecológicas na Terra, como demonstram os períodos de escuridão que afetaram a vida dos dinossauros. E, como alguns brincalhões comentaram no Reddit, um erro notável do livro é a sugestão de que Grace teria a habilidade de caminhar do Laboratório de Flutuabilidade Neutra até o Centro de Controle da Missão em Houston sob calor escaldante.
O Papel do Pensamento Científico no Filme
Bellovary também expressou que não ficou incomodada com as inverossimilhanças retratadas no filme, afirmando: “Nunca pensei: ‘Meu Deus, isso está tão errado. Isso nunca acontece de verdade.'” Para ela, a produção merece uma boa avaliação na representação da ciência.
Um aspecto que pode ser particularmente inspirador para os cientistas é a maneira como o filme retrata o raciocínio científico. Apesar de conter suas porções de ação explosiva, a narrativa foca no trabalho colaborativo entre Grace e Rocky. Eles utilizam ferramentas e quadros brancos, além de criatividade, para resolver problemas complexos. Mesmo errando, o aprendizado mútuo se torna uma parte fundamental da jornada.
A transformação da personagem Grace também é notável. Ela, que havia abandonado a carreira acadêmica após a ridicularização de sua tese, descobre em Rocky, um ser adorável e sem rosto, um verdadeiro parceiro de trabalho.
Antes de sua missão, Grace atuava como professora de ciências no ensino fundamental, um detalhe que levanta questões sobre suas credenciais para pilotar uma espaçonave, um aspecto que o filme não aborda. A professora de ciências do ensino médio, Bridget Ierace, acredita que a obra pode proporcionar valiosas lições aos alunos, afirmando: “Ele mostra as pessoas por trás da ciência. Os cientistas cometem erros, têm emoções, e diferentes fatores os motivam”. Embora não se trate de uma aula de física ou microbiologia, a mensagem sobre o papel humano na ciência é, sem dúvida, significativa.
