Doação de Órgãos e a Transformação de Vidas
Entre 1º e 17 de março, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) do Pará registrou seis autorizações de familiares para doações de órgãos, com isso, abrindo a possibilidade de até 25 transplantes. Nos últimos nove dias, quatro dessas autorizações foram formalizadas, e parte das captações já foi direcionada ao Hospital Ophir Loyola (HOL) e à Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. Este cenário evidencia a relevância da doação de órgãos, que pode salvar vidas e melhorar a qualidade de pacientes que aguardam por transplantes. As doações incluem 12 rins, cinco fígados e oito córneas.
O secretário-adjunto de Políticas de Saúde, Ivison Carvalho, destacou que a Sespa tem se empenhado em expandir os programas de transplantes no estado, com o objetivo de aumentar o acesso e reduzir o tempo de espera dos pacientes. “O transplante de órgãos é, na maioria das vezes, a última alternativa para muitos pacientes. Aqueles que esperam há anos por um rim ou que dependem de hemodiálise, bem como os que enfrentam problemas hepáticos ou doenças como a leucemia, veem no transplante uma oportunidade de retomar a qualidade de vida ao lado de suas famílias. Além de salvar vidas, a doação reduz a pressão sobre o sistema de saúde. Cada paciente que passa por um transplante renal deixa de precisar de hemodiálise, liberando uma vaga para outros que precisam deste atendimento, especialmente em hospitais que já estão superlotados”, explicou.
Solidariedade e Doação entre Vivos
Outro aspecto importante mencionado pelo secretário é que alguns transplantes, como o de rim e fígado, podem ser realizados entre pessoas vivas, como familiares. “A doação entre vivos é um ato de solidariedade, onde um indivíduo pode doar seu rim para que a vida de outra pessoa continue”, enfatizou.
A Sespa reconhece que, apesar dos avanços nas campanhas de transplantes, ainda existem desafios na aceitação da doação de órgãos pelas famílias. Por isso, a Sespa, por meio da Organização de Procura de Órgãos (OPO), está reforçando a necessidade de que as pessoas expressem, em vida, seu desejo de se tornarem doadoras e que suas famílias respeitem essa decisão em momentos difíceis.
Conforme a Central Estadual de Transplantes, a recusa familiar continua sendo o principal entrave para a ampliação dos transplantes no estado. Por conta disso, o governo tem intensificado campanhas de conscientização e investido na formação de profissionais de saúde.
O coordenador estadual de transplantes, Alfredo Abud, revelou que a taxa de recusa no Pará é alarmante, superando 60%. “Isso implica que, a cada dez potenciais doadores, seis famílias não autorizam a doação. É crucial que ampliemos as campanhas de conscientização, evidenciando a importância desse gesto e seu impacto direto na vida de quem aguarda um transplante. Sensibilizar a população e capacitar melhor os profissionais de saúde são metas que precisamos atingir até 2026”, ressaltou.
A Organização de Procura de Órgãos
A Organização de Procura de Órgãos (OPO) desempenha um papel fundamental no processo de doação de órgãos e tecidos, funcionando como um elo entre hospitais, a Central de Transplantes e as famílias. A equipe multidisciplinar é composta por médicos e enfermeiros, responsáveis por identificar potenciais doadores, avaliar a viabilidade dos órgãos, realizar os trâmites documentais e logísticos, além de acolher os familiares e conduzir as entrevistas necessárias para a solicitação de autorização, uma etapa crucial para efetivar a doação no Brasil.
Atualmente, o Pará possui duas OPOs: a OPO Tapajós, que está localizada em Santarém e foi a primeira do estado, e a OPO Metropolitana I, situada na Central Estadual de Transplantes, em Belém, composta por cinco enfermeiros e dois médicos.
