Desenvolvimento e Oportunidades no Cenário Climático
Informações precisas, colaboração internacional e a aplicação estratégica da ciência se mostram essenciais para enfrentar os desafios climáticos atuais e moldar políticas públicas mais eficazes. Nesse contexto, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), realizou na última quinta-feira (16) o Seminário OCTI — Panorama da Produção Científica e Inteligência Climática no Brics. O evento reuniu especialistas para debater tendências, potencialidades e oportunidades de atuação do Brasil no cenário global.
Esta iniciativa faz parte das celebrações dos 25 anos do CGEE e visa aprimorar a tomada de decisões fundamentadas em evidências. Além disso, promove um debate ampliado sobre a cooperação científica entre as nações do Brics, um bloco que congrega economias emergentes que desempenham um papel cada vez mais significativo na produção de conhecimento e no avanço tecnológico.
Na abertura do seminário, Carlos Matsumoto, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MCTI, enfatizou a importância de informações estratégicas na articulação entre países. “Considero que a coleta de informações, o entendimento mútuo e a clareza sobre o que se deseja alcançar com essas colaborações são absolutamente essenciais”, destacou.
Boletim Anual e Perspectivas de Colaboração
O seminário também se configura como uma continuidade do Boletim Anual OCTI 2024, que foi divulgado em 2025 e avalia a evolução da produção científica em inteligência climática dentro do contexto do Brics. A programação do evento incluiu discussões sobre a capacidade colaborativa em ciência, tecnologia e inovação, além da apresentação de dados e estudos recentes.
Anderson Gomes, presidente do CGEE, comentou sobre o desafio que vai além da geração de dados, abrangendo sua utilização prática. “Dispomos de condições para produzir estudos de qualidade e disseminá-los amplamente, mas ainda enfrentamos barreiras para que esse conhecimento alcance efetivamente aqueles que necessitam utilizá-lo nas decisões. Temos intensificado nossas ações com ministérios e outros interessados para enriquecer políticas fundamentadas em evidências”, afirmou.
O Brics e a Cooperação Científica Global
O Brics, atualmente composto por 11 países, representa mais de 40% da população mundial e cerca de 41% do PIB global, considerando a paridade do poder de compra. Nesse contexto, a promoção de uma cooperação científica efetiva e o uso de evidências são fundamentais para enfrentar desafios comuns, como as mudanças climáticas, além de aumentar a capacidade de resposta das nações do Sul Global.
OITAVA EDIÇÃO DO INFORME OCTI
Durante o seminário, foi apresentada a oitava edição do Informe OCTI, que aprofunda as discussões sobre inteligência climática e reforça a importância da utilização de dados para formular estratégias públicas e a atuação internacional do Brasil.
O documento revela que o campo da inteligência climática está em franca expansão, impulsionado pela intersecção entre ciência do clima, inteligência artificial e inovações em tecnologias energéticas. Entre 2022 e 2025, foram publicados 32.040 artigos sobre o tema, com 17.460 deles contribuídos por países do Brics, correspondendo a 54,5% da produção mundial. Neste período, o número anual de publicações mais que dobrou, evidenciando o crescimento dessa agenda em áreas como engenharia, ciências ambientais e modelagem climática.
O levantamento ainda destaca a relevante participação do Brasil em temas como bioenergia, agricultura resiliente e estudos sobre biomas, como Amazônia e Cerrado. Contudo, também ressalta a concentração da produção científica em poucos países e a limitada colaboração entre os membros do bloco, indicando que há um potencial considerável para ampliar parcerias e desenvolver soluções conjuntas diante das mudanças climáticas.
