Maringá e a Ciência: O Início de Uma Trajetória Inspiradora
Enquanto muitas crianças de dez anos aproveitam seu tempo livre entre escola e jogos, Manuela Pinto Soares, uma maringaense, decidiu trilhar um caminho diferente. Apaixonada por leitura e fã do popular jogo Minecraft, ela transformou seu interesse por pedras e minerais em uma pesquisa científica e se tornou a brasileira mais jovem a publicar um artigo acadêmico.
Intitulado “De blocos a rochas: um relato de experiência explorando as diferenças entre o mundo Minecraft e a geologia da vida real”, o estudo foi publicado em setembro de 2025. Nele, Manuela compara elementos do universo de Minecraft com minerais reais, como a obsidiana, o lápis-lazúli e a esmeralda bruta. A conquista recebeu reconhecimento nacional ao ser homologada pela RankBrasil, que destacou Manuela como a mais jovem a alcançar tal feito. As suas investigações começaram um ano antes, quando tinha apenas nove anos.
A Criatividade que Transforma
Antes de se aventurar na redação de um artigo científico, Manuela já havia escrito um livro infantil, intitulado A Fuga da Pantera, lançado em Curitiba no ano anterior. Contudo, a jovem não queria parar por aí. “Eu tinha feito um livro e queria fazer mais alguma coisa legal, então decidi escrever um artigo científico”, compartilha Manuela.
A mãe, Nina Pinto Soares, relata que a iniciativa partiu inteiramente da filha. “Ela comentou: ‘Eu escrevi um livro e sou criança, então agora quero fazer um artigo científico’. Ela sempre busca novos desafios”, diz Nina, visivelmente orgulhosa.
O tema da pesquisa nasceu da combinação de duas de suas paixões: Minecraft e a coleção de pedras que Manuela sempre teve. “Ela jogava bastante Minecraft e sempre gostou de colecionar pedras. Assim, decidimos comparar as rochas do jogo com as pedras do mundo real”, contou a mãe.
O Apoio da Escola e o Desenvolvimento do Projeto
Atualmente, Manuela estuda no Colégio Saint Helena em Maringá, onde contou com o apoio da professora Poliana Barbosa da Riva durante o desenvolvimento de seu projeto. “No ano passado, ela estava no quarto ano e já demonstrava altas habilidades. Na escola, temos um programa de acompanhamento para esses alunos, e Manuela sempre esteve muito envolvida com a ciência”, afirmou Poliana.
A professora ainda explicou que o projeto foi elaborado gradualmente, com encontros mensais e muitas pesquisas. “O tema partiu dela, e fomos ajustando as ideias até chegarmos à investigação das rochas e minerais presentes no Minecraft. Por ser um jogo que ela adora, seu interesse e dedicação foram notáveis”, destaca Poliana.
Experiências Práticas e Apresentação em Feiras de Ciências
Durante o processo de pesquisa, Manuela teve a oportunidade de visitar o laboratório de Geologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Nesse espaço, aprendeu sobre minerais reais e o cotidiano dos geólogos. “Nós fomos até a universidade, onde analisamos rochas, e ela escolheu estudar a obsidiana, o lápis-lazúli e a esmeralda bruta”, relatou Nina.
Além disso, Manuela apresentou seu projeto em uma feira de ciências em Foz do Iguaçu, onde professores universitários e especialistas avaliaram seu trabalho. “Este foi um momento crucial, pois ela teve a chance de apresentar para avaliadores, recebeu uma medalha e provou que crianças também podem fazer ciência de verdade”, ressaltou Poliana.
Uma Publicação Científica de Verdade
Poliana ainda enfatizou que o artigo passou por uma avaliação rigorosa antes da publicação. “Não foi apenas uma submissão simples; o trabalho foi revisado por pares e validado por especialistas. Trata-se de uma publicação científica legítima”, explicou.
Observando toda essa trajetória, Nina expressou sua emoção. “Eu fico impressionada, porque ela se propõe e realiza. Enquanto muitos adultos procrastinam, ela simplesmente vai lá e faz. Isso é um exemplo para mim também”, comentou.
Planos Futuros e a Continuidade da Jornada
Apesar de ter alcançado uma conquista tão significativa, Manuela já possui novos planos em mente. “Estou escrevendo outro livro… já estou na página 91”, revelou. Além disso, a jovem continua levando uma vida normal, estudando, brincando e praticando esportes, enquanto sonha com o futuro. Sua história mostra que, quando a curiosidade é alimentada, ela pode se transformar em grandes realizações.
De blocos virtuais a rochas reais, essa pequena pesquisadora de Maringá já deixou sua marca na ciência brasileira e promete ir ainda mais longe.
