Uma Coleção Rica e Diversificada
O Museu Goeldi, localizado em Belém, é conhecido por abrigar uma das mais impressionantes coleções de mamíferos da América do Sul, com cerca de 47 mil espécimes. Curiosamente, essa vasta coleção não está disponível nas áreas de visitação do museu. Na verdade, está guardada em seu campus de pesquisa, também na capital paraense, onde são preservadas diversas coleções científicas.
Entre as inúmeras espécies catalogadas, destacam-se animais emblemáticos da Amazônia, como onças-pintadas e peixes-boi, além de primatas e carnívoros, que são essenciais para a compreensão da distribuição dessas espécies ao longo do tempo e das mudanças que ocorreram em seus habitats.
História e Reunião do Acervo
Leia também: UNESCO Revela Importância dos Sítios Protegidos para Biodiversidade e Sociedade
Leia também: Descoberta da ‘Lula de Poseidon’ Renova Esperanças sobre a Biodiversidade Marinha
Surpreendentemente, a formação desse acervo começou de forma menos metódica do que se poderia imaginar. “Morria um animal no parque, vinha para cá”, relata a bióloga Alexandra Bezerra, que faz parte da equipe de pesquisa do Museu Goeldi e é coautora de um estudo sobre coleções científicas na América do Sul. Com o passar dos anos, o acervo foi se ampliando, reunindo exemplares coletados ao longo do século XX, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
Além disso, cerca de 70 espécimes são considerados “tipos”, utilizados como referência científica para a descrição de novas espécies, tornando-se um dos itens mais valiosos em qualquer coleção científica.
Concentração de Registros e Lacunas de Conhecimento
A maior parte dos animais catalogados no Museu Goeldi é originária da Amazônia Oriental e de áreas de transição, abrangendo estados como Pará, Maranhão, Tocantins e Rondônia. Apesar do grande volume de registros, a coleção revela lacunas significativas no entendimento da fauna brasileira. “Existem muitos ‘buracos’ de amostragem — não apenas na Amazônia, mas em todo o Brasil”, ressalta Alexandra.
Leia também: Descubra a Biodiversidade Amazônica com o “Vem Passarinhar Belém”
Leia também: A Recuperação das Baleias-Jubarte e seu Impacto Econômico no Brasil
Fonte: vitoriadabahia.com.br
Esse cenário ocorre devido ao fato de que, historicamente, as coletas se concentraram em grandes rios, deixando regiões mais isoladas com poucos registros. Isso representa um desafio para a pesquisa e conservação da biodiversidade brasileira.
Base para Pesquisas Científicas
A coleção do Museu Goeldi serve como uma importante base para pesquisas científicas. A partir dos registros, é viável investigar mudanças ambientais, a evolução das espécies e até doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos. Com a digitalização dos dados dos espécimes, que estão disponíveis em uma plataforma nacional, o acesso dos pesquisadores foi facilitado, promovendo um intercâmbio mais ágil de informações.
Desafios Enfrentados pela Coleção
No entanto, mesmo com a relevância da coleção, as instituições científicas na América do Sul enfrentam desafios imensos, incluindo a escassez de profissionais especializados e limitações estruturais. No caso do Museu Goeldi, a coleção de mamíferos está sem um curador desde 2025, o que gera preocupações sobre a manutenção e atualização do acervo.
Embora os dados estejam digitalizados, a ausência de um responsável implica em dificuldades para garantir que a coleção continue a servir como uma das principais bases de apoio para estudos sobre a rica biodiversidade amazônica e suas complexidades. A importância do Museu Goeldi transcende suas paredes, contribuindo para um entendimento mais profundo da fauna brasileira e do impacto das atividades humanas sobre ela.
