Prioridades do Executivo e Desafios no Congresso
Na manhã desta quinta-feira, José Guimarães, novo ministro responsável pela articulação política do governo Lula, recebeu jornalistas para um café da manhã no Palácio do Planalto. Durante o encontro, ele abordou as prioridades do Executivo para este ano, ressaltando a necessidade de uma maior aproximação com o Legislativo. Guimarães foi enfático ao afirmar que o PL dos aplicativos não foi votado devido à falta de consenso entre as partes envolvidas. ‘O PL dos aplicativos não votamos porque não havia acordo sobre nada. As plataformas não concordam, os entregadores também não, como podemos votar? A oposição estava à espreita, esperando um vacilo para acusar o PT de prejudicar os trabalhadores’, afirmou.
Segundo Guimarães, os ministros Luiz Marinho e Guilherme Boulos fizeram um esforço considerável nas negociações, mas o texto final não conseguiu unir os interesses. Por essa razão, o governo passou a defender o adiamento da votação para um momento mais propício. ‘Conversei com o relator e essa é a posição do governo. Mas, às vezes, a vida se encarrega de resolver as situações. Não adianta fazer beicinho, os problemas são reais; o Congresso é plural e o governo não tem maioria; apenas com diálogo conseguiremos as vitórias necessárias’, acrescentou.
Construindo Pontes com o Senado
Guimarães também enfatizou a importância de manter uma boa relação com o Congresso para viabilizar a aprovação de pautas essenciais. Ele reconheceu a necessidade de estreitar a interlocução com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, para destravar propostas que estão paradas na Casa. ‘O diálogo já foi iniciado e cumprir acordos é o mais barato do ponto de vista político’, ressaltou.
Sobre a PEC da Segurança, o ministro destacou que foi feita em comum acordo, mas é imprescindível que seja votada no Senado. ‘Não podemos obrigar o Senado a votar, e o diálogo com Alcolumbre é a chave para resolver essa situação’, declarou Guimarães.
Perspectivas para as Eleições de 2026
Em relação ao cenário eleitoral de 2026, Guimarães expressou que o governo não se preocupa com pesquisas que indicam o senador Flávio Bolsonaro à frente do presidente Lula. ‘Vamos desidratar nosso opositor, ele não tem mérito para ser presidente em um momento como este’, afirmou. O ministro destacou que o PT conta com alianças consolidadas e palanques competitivos em colégios eleitorais chaves, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Ao abordar Minas Gerais, ele mencionou que uma possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco poderia fortalecer o campo governista no estado. ‘Quando Pacheco declarar sua candidatura, o palanque estará montado. Ele está dialogando com Lula, e acredito que a situação se resolverá em breve’, comentou.
Medidas Econômicas e Desafios no Setor produtivo
Guimarães também abordou as medidas que o governo está tomando em relação aos combustíveis, caracterizando-as como ‘corajosas’. Ele anunciou que a equipe econômica deverá divulgar novas ações para conter a inflação, que tem afetado as famílias brasileiras. O novo ministro apontou que a manutenção da taxa de juros elevada e o aumento dos jogos de apostas online têm contribuído para o endividamento das famílias. ‘O Banco Central perdeu a oportunidade de reduzir a taxa de juros. A inflação está sob controle, mas o endividamento das famílias aumentou devido à taxa alta. Não podemos dar com uma mão e tirar com a outra’, avaliou.
Sobre a discussão da jornada de trabalho, Guimarães se mostrou aberto a negociar uma regra de transição para a redução, mas se mostrou contrário à diminuição de tributos para as empresas. ‘Discutir a transição é viável, mas o Congresso decidirá. Não deveríamos ter mais desoneração. Fui o autor da lei que eliminou os incentivos. Nenhum país sobrevive economicamente renunciando a quase um trilhão de reais’, afirmou. Representantes do setor produtivo argumentam que a redução da jornada de trabalho pode resultar em um aumento de custos para os empregadores, afetando a competitividade e a geração de empregos.
Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar os custos com empregados entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, representando um aumento de até 7% na folha de pagamentos. O governo, por sua vez, acredita que a melhoria da produtividade deverá vir por meio do aprimoramento da qualificação dos trabalhadores e investimentos em infraestrutura.
