Produção de Ovos Livres de Gaiolas Ganha Espaço no Pará
O mercado de ovos produzidos por galinhas livres de gaiolas, também conhecidos como cage-free, começa a consolidar sua presença no Pará. Essa tendência acompanha o movimento nacional, impulsionado pela demanda crescente dos consumidores por alimentos de maior qualidade e pelos compromissos assumidos por grandes redes de supermercados, restaurantes e hotéis. Apesar do avanço, a oferta local ainda é restrita, concentrada principalmente em pequenos agricultores familiares que enfrentam dificuldades para competir com os ovos convencionais.
Desafios Estruturais e Custos Elevados Limitam Expansão
Embora o interesse por produtos ligados ao bem-estar animal aumente, a expansão do segmento no Pará esbarra em obstáculos como custos mais altos de produção, ausência de assistência técnica, infraestrutura insuficiente e logística onerosa. Para o economista Genardo Chaves de Oliveira, o estado possui potencial para ampliar essa produção, porém dependerá de políticas públicas de incentivo e investimentos que fortaleçam toda a cadeia produtiva.
Agricultura Familiar e a Qualidade como Diferencial
Em Santo Antônio do Tauá, a agricultora familiar e feirante Elizete Cardoso mantém a tradição da família na criação de galinhas soltas, produzindo ovos fora do sistema convencional de gaiolas. Ela percebe que o consumidor urbano valoriza cada vez mais alimentos considerados mais saudáveis. “Observamos que o povo da zona urbana tem essa necessidade de se alimentar com ovos saudáveis. Viemos do interior para trazer esse benefício de qualidade. É um trabalho que já vem da nossa família há muitos anos”, afirmou.
Na propriedade, as aves são criadas em espaços adequados e alimentadas com milho, capim, folhas de bananeira e excedentes da agricultura familiar, como hortaliças e macaxeiras. O manejo inclui horários definidos para alimentação e água, garantindo o bem-estar das galinhas. Segundo Elizete, o principal diferencial percebido pelos clientes está na qualidade do produto. “Quando eles conhecem como a gente cria as galinhas e experimentam os ovos, voltam querendo comprar mais. Eles gostam da gema bem amarelinha e da qualidade”, explicou.
Leia também: Crescimento do Parárraiá e Seu Impacto no Turismo e Economia do Pará
Fonte: belembelem.com.br
Custos Elevados e Falta de Apoio Limitam Rentabilidade
Apesar da procura, a rentabilidade dos produtores de ovos cage-free ainda é considerada limitada. Elizete destaca que o preço busca equilibrar o custo da produção com a realidade financeira dos consumidores. “Uma cuba com 30 ovos deveria custar R$ 35, mas vendemos por R$ 30 para ficar acessível. Se aumentar muito, o consumidor sente”, afirmou.
Ela aponta que os maiores desafios são os custos da alimentação das aves, controle de doenças e ausência de apoio institucional. “Tudo é custeado por nós. Não temos acompanhamento nem benefício governamental. Precisamos de crédito e assistência técnica para que mais agricultores possam trabalhar desse jeito”, reforçou.
Mercado em Crescimento, mas com Limitações Regionais
O economista Genardo Chaves observa que o consumo de ovos no Brasil subiu de 191 para 288 unidades por habitante ao ano entre 2015 e 2025, consolidando o alimento como uma das proteínas mais acessíveis e abrindo espaço para produtos diferenciados, como os ovos cage-free. Além disso, 161 empresas dos setores de alimentação e hotelaria assumiram o compromisso de utilizar exclusivamente ovos de galinhas livres de gaiolas até 2028, o que cria novas oportunidades para os produtores.
No entanto, o Norte do país ainda enfrenta entraves maiores que outras regiões. “O mercado de ovos cage-free no Pará tem potencial de crescimento, mas ainda sofre com barreiras estruturais. A demanda cresce, porém os custos de produção e a baixa oferta regional limitam a expansão”, comentou Genardo.
Produzir ovos nesse sistema exige mais espaço para as aves, manejo especializado e certificações, o que eleva os custos entre 10% e 18% em relação à produção convencional. A escassez de granjas certificadas no Norte e os altos custos logísticos também dificultam o abastecimento e reduzem a competitividade do produto.
Incentivos e Investimentos são Cruciais para o Futuro do Setor
Para ampliar a produção de ovos livres de gaiolas no Pará, o economista aponta que a agricultura familiar pode ser a base desse crescimento. Contudo, o avanço dependerá da oferta de crédito, assistência técnica, investimentos em certificação e ações para ampliar o conhecimento dos consumidores sobre os diferenciais desse tipo de produção.
“A tendência nacional é de crescimento contínuo desse mercado, mas para que o Norte acompanhe esse movimento será necessário superar gargalos de custo, infraestrutura e logística”, conclui Genardo Chaves.
