Economia do Pará se destaca no cenário nacional
O Produto Interno Bruto (PIB) do Pará apresentou desempenho superior ao do Brasil no segundo trimestre de 2026, refletindo a força dos principais setores produtivos do estado. Conforme dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), baseados no Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCNT/IBGE), o PIB paraense chegou a R$ 74,8 bilhões, representando 2,2% do PIB nacional, que totalizou R$ 3,42 trilhões no período.
Setores que impulsionam o crescimento
O setor de serviços lidera a economia estadual, movimentando R$ 39,4 bilhões, equivalente a 52,6% do PIB do Pará. A indústria também teve papel importante, com R$ 17,9 bilhões em receita, destaque para a indústria extrativa mineral que registrou R$ 7,87 bilhões e correspondeu a 5,9% da produção extrativa nacional. O agronegócio movimentou R$ 11,37 bilhões, representando 5,6% do setor agropecuário do Brasil.
Comparado ao primeiro trimestre de 2026, o PIB do Pará cresceu 1,17%, enquanto o crescimento nacional foi de 0,48%. A agropecuária teve alta expressiva de 8,72%, favorecida pelo clima seco durante a colheita do milho da segunda safra, além do aumento no abate e preço da arroba do boi gordo. A indústria cresceu 2,88%, impulsionada pela produção recorde do complexo de ferro S11D, enquanto o setor de serviços sofreu desaceleração pontual, com queda de 1,66%, afetado principalmente pelo segmento imobiliário.
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Desempenho frente ao mesmo período do ano anterior
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB paraense apresentou leve queda de 0,07%, enquanto o Brasil cresceu 1,98%. A indústria foi o principal responsável pela redução, com queda de 8,03%, resultado da menor disponibilidade de minério run-of-mine no Sistema Norte da Vale. Em contrapartida, agropecuária e serviços mostraram resultados positivos. A agropecuária cresceu 8,02%, beneficiada pelas condições climáticas favoráveis para os grãos, acima dos 6,76% do Brasil. Os serviços avançaram 1,18%, puxados pela Administração Pública e pelos serviços prestados às famílias.
Resultado acumulado e perspectivas para o ano
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o Pará apresentou crescimento de 0,33%, enquanto o Brasil cresceu 1,91%. A agropecuária foi destaque, com avanço de 7,08%, impulsionado pela agricultura, que cresceu 3,82%, e pela pecuária, que saltou 17%. As chuvas no início do ano favoreceram a segunda safra do milho, que atingiu 1,59 milhão de toneladas, crescimento de 5,4%. Também ganharam espaço as culturas de cana-de-açúcar (+18,2%), mandioca (+4,8%) e cacau (+3,1%).
A indústria acumulou queda de 10,36%, porém com sinais de desaceleração das perdas no segundo trimestre. A produção recorde no S11D, com 23,4 milhões de toneladas (alta de 11,9%), junto ao crescimento nas minas de cobre de Salobo (+3,8%) e Sossego (+26,3%), atenuaram o impacto da redução na oferta de minério em Serra Norte (-20,5%) e da desvalorização da commodity no mercado internacional, cotada a US$ 99,2 por tonelada. A indústria de transformação registrou queda de 6,88%, com destaque positivo apenas para a Metalurgia (+4,1%). A construção civil sofreu retração de 4,62%, afetada pelo aumento dos custos após a COP 30, com o INCC subindo 6%.
Setor de serviços mantém ritmo acelerado
O setor de serviços cresceu 3,37% no ano, sustentado pela Administração Pública, Comunicação (+6,06%) e Transportes (+3,63%). Esse desempenho superou o ritmo brasileiro, que foi de 1,82%, puxado por outros serviços (+7,17%) e Administração Pública (+6,81%). O impacto na geração de empregos é evidente: dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) indicam a criação de 6.033 vagas formais no setor de serviços e comércio no segundo trimestre, totalizando mais de 13,2 mil novos postos no primeiro semestre.
Economia paraense mantém trajetória sólida
Rickson Oliveira, pesquisador da Fapespa responsável pelo relatório, ressalta que o acompanhamento trimestral do PIB revela as oscilações e peculiaridades da produção paraense. Para ele, o crescimento acima da média nacional no segundo trimestre foi levado pela força da agropecuária, com destaque para a safra de milho e valorização da pecuária, junto à recuperação da indústria.
O boletim do PIB Trimestral do Pará, elaborado pela Diretoria de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação (DETGI) e pela Coordenadoria de Estatística Econômica e Contas Regionais (CEECR) da Fapespa, confirma a solidez econômica do estado. Seus principais setores seguem como motores do crescimento e determinantes do perfil produtivo paraense, refletindo diretamente na renda, no emprego e na atividade econômica regional.
