Richard Rasmussen é nomeado para Conselho na Secretaria de Meio Ambiente do Pará
O biólogo e apresentador paulista Richard Rasmussen, conhecido nacionalmente por seus programas de TV sobre vida animal, foi escolhido para integrar o Conselho Consultivo Estratégico da Secretaria do Meio Ambiente do Pará (SEMAS). A nomeação suscitou debate pela extensa lista de multas ambientais que acumula junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), incluindo infrações como a manutenção irregular de animais silvestres em cativeiro e perturbação de jacarés no Pantanal. Além disso, Rasmussen tem se posicionado como porta-voz do agronegócio, criticando medidas de proteção ambiental integral na Amazônia.
Histórico de infrações e atuação política
Em 2017, o Ibama notificou o biólogo por multas que ultrapassavam R$ 263 mil, relacionadas à manutenção de espécies sem autorização e à introdução de animais exóticos. Na época, o órgão também questionou o manejo de animais em seus programas televisivos, embora Rasmussen tenha afirmado que suas ações tinham caráter educativo. Outra polêmica envolve a morte de uma fêmea de boto-cor-de-rosa grávida, registrada em um documentário de 2017. Acusações indicaram que o biólogo teria facilitado a captura do animal para filmagem, o que ele negou, reforçando que não pagou ou encomendou a morte. O episódio reacendeu o debate sobre a pesca da piracatinga e o uso de botos como isca, atividade proibida por uma moratória federal.
Em 2020, Rasmussen foi denunciado ao Conselho Regional de Biologia por suposta perturbação de jacarés em um brejo no Pantanal. Ele justificou a ação como uma tentativa de salvar os animais, transferindo-os para um ambiente mais adequado. Em 2021, a denúncia foi arquivada após comprovação de autorização para o manejo.
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Rasmussen e a defesa do agronegócio
Nos últimos anos, o biólogo tem se destacado como defensor do agronegócio brasileiro, enfatizando a necessidade de aprimorar a comunicação do setor sobre sustentabilidade e avanços tecnológicos. Ele defende a coexistência entre produção rural e conservação ambiental, destacando práticas como o plantio direto e a proteção de áreas nativas. Em 2019, foi nomeado Embaixador do Turismo/Ecoturismo do Brasil pelo então presidente Jair Bolsonaro e tornou-se uma voz ativa em eventos do agronegócio, além de apresentar o programa “Agro: A Verdade” no Canal Rural.
Recentemente, Rasmussen criticou duramente a criação da Reserva Extrativista Jaci Paraná, em Rondônia, qualificando a atuação dos órgãos ambientais como uma “vergonha para o Brasil”. Em outras ocasiões, defendeu que plantações de soja podem funcionar como corredores ecológicos, reforçando sua visão conciliadora entre agricultura e meio ambiente.
Nova gestão da Semas busca diálogo entre setores
O futuro secretário do Meio Ambiente do Pará, Vinícius Borba, advogado ligado ao setor agropecuário, anunciou a formação do Conselho Consultivo Estratégico da Semas, que terá entre seus membros Richard Rasmussen. Borba expressou a intenção de reunir produtores rurais, garimpeiros, cientistas e ambientalistas para desenvolver políticas que promovam preservação, desenvolvimento e respeito às comunidades locais. Convites já foram enviados a nomes como Aldo Rebelo e Evaristo de Miranda.
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Aldo Rebelo, relator do Código Florestal de 2012, manifestou-se contra a atuação das organizações da sociedade civil na Amazônia durante a “CPI das ONGs” em 2023, defendendo a destinação de recursos públicos exclusivamente para órgãos estatais. Evaristo de Miranda, ex-chefe da Embrapa Territorial e conselheiro ambiental na gestão Bolsonaro, é conhecido por minimizar a responsabilidade do agronegócio no desmatamento, popularizando a tese do “boi bombeiro”, que sugere que a pecuária reduz o material combustível para queimadas.
Desafios e expectativas para o conselho na política ambiental do Pará
O Conselho Consultivo Estratégico da Secretaria do Meio Ambiente do Pará terá a missão de assessorar a formulação de políticas públicas ambientais que equilibrem conservação e atividades produtivas, especialmente o agronegócio. A gestão de Daniel Santos (PODEMOS) e o futuro secretário Borba promovem essa agenda, que ainda carece de detalhes práticos para sua implementação. A presença de figuras como Santos (PODEMOS), Rasmussen (MDB) e Borba indica uma orientação para políticas ambientais alinhadas com o desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo em que busca atender demandas sociais e ambientais no estado.
