Avanço Significativo na Política Climática do Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul dá um passo importante na gestão climática ao atingir a nota B na avaliação do Carbon Disclosure Project (CDP), uma das principais plataformas globais que monitoram ações em prol do clima. Essa melhoria representa uma evolução substancial em comparação ao ano anterior, quando o estado havia sido avaliado com a nota D. Essa mudança indica a transição do início da divulgação de dados para um nível mais avançado de gestão, caracterizada por políticas concretas, metas estabelecidas e ações efetivas.
A coordenação das iniciativas climáticas no estado é realizada pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), que, por meio da Assessoria do Clima, tem trabalhado na consolidação de dados, na elaboração de inventários e na definição de estratégias com foco na transparência das informações climáticas. A nota B, que corresponde ao nível de ‘Gestão’, revela que o estado já implementa políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, além de realizar análises de risco e estruturar sua governança de maneira integrada, visando aumentar a resiliência dos territórios.
Resultados e Ações em Evidência
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O CDP, uma organização internacional sem fins lucrativos, avalia como governos subnacionais compreendem e gerenciam os impactos climáticos usando uma metodologia pública e globalmente comparável. Os dados gerados são amplamente utilizados por bancos de desenvolvimento e organismos multilaterais para orientar decisões de financiamento e cooperação.
Marjorie Kauffmann, titular da Sema, destacou que a nota B reflete o fortalecimento da governança climática. “Esse avanço se concretiza em dados e ações efectivas, como o inventário de emissões divulgado recentemente, que demonstra uma redução significativa das emissões no Rio Grande do Sul, além da implementação de planos e metas estruturados e parcerias internacionais”, enfatiza Kauffmann.
De fato, o estado conseguiu reduzir suas emissões líquidas de gases de efeito estufa em 26,8% entre 2021 e 2023, consolidando um panorama positivo para o futuro.
Consolidação da Política Climática
A nova pontuação obtida confirma um estágio renovado na política climática do estado, que agora se baseia em um planejamento mais robusto e na execução de ações eficazes. Entre os fatores que contribuíram para essa evolução estão a consolidação da Assessoria do Clima e a publicação do Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa, que incluíram diagnósticos setoriais.
Um dos destaques desse planejamento é o Roadmap Climático, parte da estratégia Proclima 2050, que mapeia vulnerabilidades e prioridades climáticas nos municípios do Rio Grande do Sul. Outro avanço significativo são os Roteiros de Descarbonização, desenvolvidos em parceria com o setor produtivo, que analisam cinco cadeias econômicas estratégicas e projetam cenários de redução de emissões até 2050. Por exemplo, a cadeia de soja pode alcançar a neutralidade de emissões até 2045, e a pecuária e o cultivo de arroz podem reduzir suas emissões em 72,8% e 76,1%, respectivamente, até meados do século.
Reconhecimento Internacional e Futuras Perspectivas
“O resultado evidência uma política climática madura, baseada em dados e planejamento, com reconhecimento internacional. O avanço de D para B demonstra que o Rio Grande do Sul não apenas reporta informações, mas já executa políticas climáticas consistentes, aumentando a credibilidade institucional e ampliando oportunidades de cooperação”, declarou Daniela de Lara, coordenadora da Assessoria do Clima.
O ciclo de avaliações do CDP iniciou em 2022, quando o estado aderiu ao Acordo de Cooperação. Em 2023, obteve a nota D, sendo classificado como capaz de identificar impactos climáticos. Em 2024, avançou para a nota C, evidenciando a capacidade de medir e relatar os efeitos das mudanças climáticas, até que, em 2025, alcançou a nota B.
Do ponto de vista estratégico, essa avaliação positiva não apenas fortalece a imagem do Rio Grande do Sul no cenário internacional, como também amplia o acesso ao financiamento climático e à cooperação técnica. Os dados são vitais para bancos multilaterais e agências de cooperação, que utilizam essas informações para avaliar a transparência e a capacidade de gestão dos governos frente aos riscos climáticos.
Além disso, esse progresso fortalece a presença do estado em redes globais, como a Under2 Coalition e o Iclei, dedicadas à sustentabilidade e à luta contra as mudanças climáticas, consolidando o Rio Grande do Sul como uma referência subnacional.
