Desafios Climáticos no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul enfrenta uma série de desastres naturais que vão desde enchentes e deslizamentos de terra até estiagens, granizo e tornados. Segundo o coronel Luciano Boeira, coordenador Estadual da defesa civil, o Estado reúne praticamente todos os riscos classificados pela Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres, que agrupa eventos em categorias geológicas, hidrológicas e meteorológicas.
Essa variedade de riscos pode ser comparada ao CID utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para padronizar diagnósticos médicos no mundo todo. Assim, o RS apresenta um cenário complexo, como se tivesse potencial para todas as “doenças” ambientais possíveis, resultado da combinação dos fatores geográficos, climáticos, ocupação humana e mudanças climáticas.
Iniciativa Voluntária para Fortalecer a Defesa Civil
Diante desse cenário, um grupo formado por voluntários, especialistas, pesquisadores e gestores públicos da região do Alto Uruguai escolheu agir. Entre os dias 31 e 2 de domingo, Erechim promove o 1º Clima Summit – Treinamento de Resposta a Desastres e Encontro de Voluntários, com foco na capacitação de gestores públicos, equipes da Defesa Civil, profissionais de emergência e voluntários.
O primeiro painel, que teve a mediação da repórter Beatriz Pereira, abordou “El Niño – Ações de Prevenção e Resposta”, reunindo nomes como o coronel Boeira, o coronel Maurício Ferro Corrêa, comandante do 2º Comando Regional do Corpo de Bombeiros Militar, Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária Alto Uruguai, e o meteorologista Rafael Santana.
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Preparação e Alerta para um El Niño Intenso
Com a aproximação de um El Niño mais forte, o debate destacou pontos essenciais para a população gaúcha. Boeira ressaltou o baixo número de pessoas cadastradas para receber alertas por SMS da Defesa Civil em situações de risco. O coronel Maurício enfatizou a importância da coordenação entre os diversos agentes envolvidos, para evitar confusões durante emergências.
Ronaldo Manica chamou atenção para a necessidade de mudança cultural na população, que deve compreender a importância de seguir os alertas e evacuações preventivas. Já Rafael Santana destacou a relevância de dados científicos confiáveis para previsões meteorológicas precisas, ressaltando os riscos de falhas em sensores, como foi apontado recentemente sobre as estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Temas Relevantes em Debate Durante o Evento
O Clima Summit segue até domingo com discussões sobre o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), uso de drones e processamento de dados para situações de desastre, sistema de comando de incidentes e gerenciamento de abrigos, atendimento emergencial para pessoas com transtorno do espectro autista, comunicação em emergências e cuidados com animais em catástrofes.
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Fonte: amapainforma.com.br
A Força Voluntária do Alto Uruguai, que organiza o evento, atua desde 2013 e já enfrentou diversos episódios críticos, como a queda de granizo em novembro do ano passado que impactou quase 20 mil pessoas.
Um Exemplo de Cultura de Prevenção
O espírito comunitário presente no trabalho dos voluntários traz uma sensação de maior segurança para a população diante dos riscos. Em um país que ainda dedica pouca atenção à segurança e à previsibilidade, o exemplo de Erechim mostra que é possível construir uma cultura de prevenção e preparo para desastres naturais.
Embora a emergência climática seja uma realidade que não pode ser revertida, a forma como reagimos a ela pode ser transformada. O Clima Summit evidencia que, a partir das tragédias, é possível avançar em respostas mais eficazes e colaborativas.
