Renúncia marcada por crise financeira e instabilidade política
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), numa tentativa de conter os efeitos da crise bancária que atingiu o país. A decisão ocorre em meio a um cenário de crescente pressão política, com o presidente enfrentando um processo de impeachment apoiado tanto pela oposição quanto por membros de sua própria base governista. O ponto central da crise é o colapso do banco digital Ueno, instituição da qual Peña foi acionista, e que bloqueou as contas de milhares de correntistas.
Impactos da crise e acusação de conivência
Peña enfrenta acusações de conivência com a falência do Ueno, que comprometeu cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social do Paraguai. Em vídeo divulgado à população, o presidente pediu desculpas pelos transtornos causados, afirmando que sua renúncia visa preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. Ele destacou que nenhum cargo deve estar acima do bem-estar da nação e admitiu que, se falhou em algum momento, não foi sua intenção decepcionar a confiança depositada nele.
Processo de impeachment e mudança na presidência
O Congresso do Paraguai iniciou, na manhã desta quinta-feira, uma sessão extraordinária para discutir o pedido de impeachment contra Peña, com todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciando apoio à medida. A articulação política ganhou força após a retirada do apoio do Horário Cortes, atual presidente do Partido Colorado, sigla à qual Peña pertence, considerado seu mentor político. O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, também retirou seu apoio, aprofundando o isolamento de Peña.
Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana assume o cargo. Apesar de também ser alvo de um processo de impeachment, Alliana teve o pedido rejeitado pela Câmara dos Deputados. Ele terá a responsabilidade de conduzir o país diante do cenário de crise institucional e econômica.
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Contexto político e relações internacionais
Economista conservador, Santiago Peña assumiu a presidência do Paraguai em 2023, com mandato previsto até 2028. Ele mantinha alinhamento ideológico com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, integrando o grupo conhecido como Escudo das Américas, que reúne líderes latino-americanos alinhados a Trump. Paralelamente, Peña mantinha boa relação com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, demonstrando uma atuação diplomática equilibrada.
Detalhes da acusação e ações judiciais
A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Também aponta que o Banco Central paraguaio teria encoberto irregularidades no Ueno. Em sessão no Congresso, a deputada Rocío Vallejo afirmou que Peña foi responsável por prejudicar milhões de paraguaios em um único dia, referindo-se ao colapso do banco digital.
O banco digital Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, encerrou suas atividades após o Banco Central iniciar o processo de liquidação, devido à insuficiência de recursos para cumprir suas obrigações, especialmente relacionadas a empréstimos concedidos a empresas ligadas à própria instituição. Executivos do banco foram presos, e a Justiça ordenou o bloqueio dos bens dos envolvidos. A Procuradoria formalizou acusações contra 27 pessoas ligadas ao caso.
Medidas emergenciais e situação do sistema financeiro
Peña promulgou uma lei que facilita a recuperação dos depósitos dos clientes do Ueno, enquanto solicitou que os setores políticos priorizem os interesses dos poupadores. Apesar do colapso do Ueno, a Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que o sistema financeiro do país continua operando normalmente, mesmo com relatos de falhas em aplicativos de outras instituições financeiras, que aumentaram a apreensão pública.
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A entidade ressaltou que as instituições bancárias estão atendendo à demanda crescente de clientes que transferem suas contas do Ueno para outras instituições, buscando garantir a estabilidade do sistema.
Próximos desdobramentos políticos
Com a renúncia de Santiago Peña, o Paraguai enfrenta uma nova fase política marcada pela transição de poder em meio a uma crise econômica e institucional. A gestão de Pedro Alliana, agora presidente interino, será observada de perto, especialmente em relação à condução das investigações e ao restabelecimento da confiança no sistema financeiro.
A continuidade do processo de impeachment contra Alliana, apesar da rejeição na Câmara, permanece como uma incógnita no cenário político do país, indicando possíveis tensões e disputas internas nos próximos meses.
