Renúncia presidencial em meio à crise financeira
O presidente do Paraguai anunciou sua renúncia logo após a Câmara dos Deputados aprovar o pedido de impeachment contra ele, por 78 votos. A decisão ocorreu em meio à crise desencadeada pelo colapso do Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas, conforme reportou o jornal ABC Color. O Senado agora deve analisar o pedido de afastamento, enquanto a solicitação contra o vice-presidente Pedro Alliana foi rejeitada e arquivada na mesma sessão.
Impactos e desdobramentos institucionais
Ao comunicar sua saída, o presidente mencionou a instabilidade financeira, mas não assumiu publicamente a responsabilidade pela crise. “Atrás de cada depósito há anos de esforços, sacrifícios e projetos familiares. Meu maior desejo era que a devolução do dinheiro seja garantida, que o fundo de garantia de depósitos cumpra a sua finalidade e que os fundos públicos sejam protegidos”, afirmou. Caso o Congresso aceite a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando do país. Pena, por sua vez, seguirá como senador vitalício, cargo previsto na Constituição para ex-presidentes que deixam o mandato sem destituição.
Contexto da crise no Ueno Bank
O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após identificar que a instituição não atendia aos requisitos mínimos de solvência. O banco digital administra aproximadamente US$ 850 milhões em fundos públicos. A crise levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, seguida da indicação do economista Raúl Vera Bogado para o cargo, com pedido de aprovação ao Congresso.
Até 2025, o presidente renunciante era acionista da Ueno Holding, controladora do banco. O Ministério Público iniciou investigação criminal e determinou a prisão de oito atuais e ex-dirigentes do Ueno Bank, incluindo o presidente Juan Manuel Gustale e o empresário Miguel Vázquez.
Reações políticas e acusações
A oposição responsabiliza o governo pela crise desencadeada pela intervenção no banco, acusando o presidente de conflitos de interesse, uso indevido de fundos de pensão e acobertamento institucional. O episódio já provocou mudanças na liderança do Banco Central e pressiona o cenário político paraguaio, que deve acompanhar os próximos passos do Congresso na votação do impeachment e aprovação da renúncia presidencial.
