Alta nas vendas de acessórios temáticos impulsiona o comércio em Belém
As vendas de acessórios temáticos relacionados à Copa do Mundo em Belém registram um crescimento previsto de pelo menos 80% neste mês, impulsionadas pelo esgotamento dos estoques em diversas lojas logo na semana do primeiro jogo da seleção brasileira. Essa alta inesperada levou empreendedores locais de moda autoral e artesanal a ampliar suas equipes e acelerar a produção para atender ao aumento da demanda dos torcedores. O movimento surpreendeu o varejo paraense e superou até mesmo a procura observada em datas comerciais tradicionais, como o Dia dos Namorados.
Produtos artesanais ganham espaço durante o torneio
Para a empresária Giselda Guedes, proprietária da marca que leva seu nome e que atua há 28 anos no mercado, o faturamento final ainda dependerá do desempenho do Brasil na competição, mas o aumento de 80% nas vendas já indica um forte engajamento inicial. Segundo ela, o sucesso comercial reflete também uma busca da população por momentos de alegria em meio ao clima tenso provocado por discussões políticas, religiosas e conflitos globais. “As pessoas estão muito carentes de muita coisa. Isso acaba unindo todo mundo para amar a nossa pátria e estimular essa vibração pelo Brasil”, destaca Giselda.
Na loja de Giselda, os colares de berloque folheados, inspirados em modelos usados pela cantora Anitta, são os itens mais vendidos, com preços entre R$ 39 e R$ 55. Também tiveram forte procura os pingentes temáticos em formato de bolas de futebol, camisas com o número 10 e bandeiras do Brasil, que rapidamente esgotaram. A preferência dos consumidores é clara: adereços nas cores verde e amarelo, com possibilidade de uso em outras ocasiões após o torneio.
Para garantir o atendimento ao público na próxima partida, marcada para a noite de sexta-feira (19), a equipe segue em ritmo acelerado para repor os estoques. Karen Maria, vendedora responsável pelo atendimento da marca, explica que o processo de escolha e fechamento dos pedidos via WhatsApp dura cerca de 30 minutos. Devido à exclusividade e à produção limitada das peças artesanais no ateliê, os clientes costumam pagar antecipadamente por Pix ou débito e optam por entregas rápidas ou retiradas expressas de carro.
Mercado artesanal atrai compradores nacionais e destaca brasilidade
O otimismo com o mercado de produtos verde e amarelo também está presente na visão do empreendedor Davi Azevedo, fundador da marca Davi Quem Fez. Ele destaca que a valorização de produtos handmade, que carregam forte identidade cultural brasileira, é uma tendência global já consolidada para 2026 e 2027. Na loja de Davi, os broches artesanais feitos com miçangas e cristais em formato da bandeira nacional lideram as vendas, com preços a partir de R$ 29,90.
Além disso, camisas temáticas com estampas afetivas, como cadeiras de plástico, copos de cerveja e o cachorro caramelo, também fazem sucesso. Este último item, inclusive, esgotou rapidamente na loja de Giselda Guedes, que vendeu as 60 unidades disponíveis.
A visibilidade proporcionada pelas redes sociais expandiu o alcance das lojas para além do Pará, alcançando clientes de todo o Brasil. “Por incrível que pareça, as redes sociais entregaram os nossos produtos para o Brasil inteiro. Então a gente está enviando também para outros estados”, conta Davi.
Segundo ele, a empolgação dos torcedores locais e nacionais cresceu ainda mais após a vitória do Brasil por goleada contra o Panamá em amistoso realizado no fim de maio. Esse resultado animou o público a investir mais em adereços personalizados. O empresário também aposta na nostalgia dos anos 90 e em coincidências históricas com a Copa de 1994, realizada nos Estados Unidos, exatamente 24 anos após o título de 1970 — mesma distância temporal entre a conquista de 2002 e o atual ano de 2026.
