Impacto da queda nas vendas físicas em Belém
O avanço acelerado das lojas virtuais, marketplaces e as vendas pelas redes sociais têm transformado profundamente o cenário do comércio em Belém. Pequenos e médios lojistas sentem na pele essa mudança, precisando revisar suas estratégias para manter a competitividade diante do crescimento do comércio digital. A transformação no comportamento do consumidor, que ganhou força especialmente após a pandemia, reduziu significativamente o fluxo nas lojas físicas, ao mesmo tempo em que impulsionou a digitalização dos negócios tradicionais.
Em diversas lojas da capital paraense, a queda das vendas presenciais já atinge até 40%. Para reagir a esse cenário, os comerciantes têm apostado em modelos híbridos de atendimento, vendas pelo WhatsApp, entregas rápidas e experiências personalizadas para o cliente. Paralelamente, entidades do setor reforçam a importância da inovação e da integração entre os canais físico e digital para garantir a sobrevivência do comércio local.
Comércio físico sente mudança no comportamento dos consumidores
Os impactos do comércio online são visíveis no dia a dia dos lojistas de Belém. A aposentada Elvira Barreto, que ajuda a administrar a boutique de roupas femininas da filha, confirma a forte redução no movimento presencial desde que as vendas digitais se consolidaram.
“Depois do crescimento das lojas online, nossa realidade mudou muito. Antes, tínhamos um fluxo maior na loja. Hoje, cerca de 30% a 40% das vendas físicas diminuíram”, explica Elvira.
Ela destaca que, enquanto os consumidores mais jovens preferem a praticidade da compra online, o público de faixa etária mais avançada ainda valoriza a experiência de ir até a loja, experimentar os produtos e interagir com os vendedores.
“O público jovem compra tudo pela internet, sem sair de casa. Já o público mais velho gosta de vir à loja, experimentar e conversar”, acrescenta.
Sem site próprio, a boutique adaptou-se ao novo mercado com vendas por telefone e entregas domiciliares, garantindo a continuidade dos negócios mesmo com a queda do movimento físico.
Presença digital: da vantagem à necessidade para lojistas
Para Sebastião Campos, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Pará (Fecomércio-PA), o crescimento do comércio digital traz oportunidades e desafios para os empreendedores locais. Ele estima que entre 25% e 35% dos lojistas do segmento de moda em Belém atuam exclusivamente no ambiente digital.
“O aumento das vendas online e via redes sociais tem impulsionado o faturamento de pequenos e médios comerciantes, mas também impõe que as lojas físicas se reinventem para manter sua relevância”, avalia Campos.
Ele alerta que a ausência de presença digital compromete a competitividade dos negócios. “Pesquisas mostram que cerca de 65% a 70% dos clientes confiam mais em empresas com presença digital, o que restringe o alcance e a credibilidade daqueles que não investem nessa estratégia.”
Campos aponta que investir em capacitação, marketing digital e atendimento multicanal é essencial para a adaptação do comércio local.
Atendimento presencial ainda é diferencial valorizado
Apesar do crescimento das vendas virtuais, o contato presencial segue sendo um diferencial em Belém. Elvira Barreto ressalta a importância do toque nos produtos, do olhar atento e da relação humana que a loja física proporciona.
“O que os clientes buscam na loja física é o contato direto com a mercadoria e também com os donos do negócio”, afirma.
Ela observa que muitos clientes frequentam a boutique não apenas para comprar, mas para manter uma relação construída ao longo dos anos, visitando o estabelecimento para conversar e socializar.
O gerente de Relacionamento e Marketing da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belém (CDL-Belém), Edson Nogueira, confirma que o consumidor da capital ainda valoriza a compra presencial, mas reconhece a pressão crescente do ambiente digital.
“O consumidor pesquisa e compra cada vez mais online, inclusive em marketplaces internacionais. Isso representa um desafio pois parte do dinheiro que poderia circular localmente é direcionado para fora da cidade”, destaca Nogueira.
Integração entre canais é caminho para o futuro do comércio local
Diante do crescimento do e-commerce, entidades do varejo defendem que a união entre canais físico e digital é a melhor estratégia para a sobrevivência das lojas locais.
Edson Nogueira enfatiza a importância da integração omnichannel, que permite ao cliente uma experiência fluida, como comprar pela internet e retirar na loja física.
Muzaffar Said, diretor do Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Belém (Sindilojas), também destaca a reação do comércio local ao novo cenário. Ele afirma que, embora o comércio online pressione por preços menores e maior variedade, muitos lojistas têm investido na combinação do físico com o digital.
“O diferencial do comércio tradicional está menos no preço e mais na experiência que o consumidor vivencia”, afirma Muzaffar.
Ele destaca que o foco deve estar em nichos específicos, atendimento personalizado, valor agregado à experiência de compra e construção de uma marca forte.
“O cliente compra valor, não apenas preço”, conclui.
Além disso, o uso do WhatsApp como ferramenta para aproximação direta com os clientes tem sido fundamental para o comércio local, oferecendo um contato mais próximo que as grandes plataformas digitais não conseguem replicar.
Essa adaptação mostra que, mesmo diante da forte concorrência do comércio online, o varejo tradicional em Belém busca formas práticas e eficientes de manter sua relevância e continuar contribuindo para a economia regional.
