Uma Viagem pela História Arquitetônica de Belém
A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (FAU/UFPA) organizou, em fevereiro, uma exposição dedicada à arquitetura moderna na cidade de Belém. O evento, que ocorreu no hall da FAU, apresentou o resultado de pesquisas acadêmicas que exploraram o desenvolvimento dessa vertente ao longo do século XX, com um foco especial na importância das edificações para o contexto cultural e climático da região amazônica.
A mostra foi resultado de um trabalho sério e comprometido, realizado na disciplina Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo VI, sob a orientação da professora Celma Chaves. Os estudantes se debruçaram sobre 11 residências icônicas, projetadas entre as décadas de 1950 e 1960, utilizando o acervo original do renomado arquiteto e engenheiro paraense, Camillo Porto de Oliveira, como base para suas análises.
Entre as obras em destaque, estão a Casa Bittencourt e a Casa Maria Deolinda, exemplares significativos que ilustram as transformações urbanas que Belém enfrentou nas últimas gerações. A exposição contou com análises gráficas, redesenhos e fotografias que contrastam o estado atual das edificações com seus projetos originais, permitindo aos visitantes uma compreensão profunda da evolução arquitetônica da capital paraense.
Sustentabilidade e Adaptação Climática na Arquitetura
Um dos enfoques principais da pesquisa está na vanguarda de Camillo Porto em implementar soluções arquitetônicas que se adequassem às condições climáticas da região. Em um momento em que a crise climática se torna cada vez mais evidente, os resultados dessa análise ressaltam como a arquitetura moderna na Amazônia já buscava formas de garantir conforto térmico e promover a integração com o meio ambiente – conceitos que se tornaram essenciais para a prática da arquitetura contemporânea.
As investigações foram apoiadas pelo acervo do Laboratório de Historiografia da Arquitetura e Cultura Arquitetônica (Lahca), que possui uma das mais extensas coleções de projetos modernos da região, o qual foi doado em 2018 pelo arquiteto Antônio Couceiro. Esse suporte foi crucial para a realização de estudos que refletem a identidade arquitetônica local e seu valor histórico.
Valorização do Patrimônio Cultural em Risco
A professora Celma Chaves também chamou atenção para o risco de empobrecimento do acervo moderno de Belém, uma situação agravada por demolições e modificações que descaracterizam os edifícios. Em sua avaliação, a exposição serve como uma ferramenta essencial de conscientização, fundamental para que a sociedade e os futuros profissionais da arquitetura reconheçam o valor dessas construções como parte do patrimônio cultural da cidade.
“Dividir esses conhecimentos é um passo importante para que os alunos desenvolvam um senso crítico e ampliem seu repertório, o que será extremamente valioso em suas futuras carreiras,” afirmou. A iniciativa do CAU/UFPA não apenas destaca a necessidade de documentar e divulgar a história da arquitetura, mas também reitera a importância de preservar o legado técnico e cultural de Belém para as gerações vindouras.
