El Niño e seus efeitos na Amazônia paraense
O fenômeno climático El Niño segue ativo em grande parte dos municípios da região Amazônica, provocando efeitos que variam em intensidade conforme a localidade. No Brasil, a expectativa é que o evento se fortaleça entre outubro e dezembro, segundo o Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com órgãos federais. Embora tenha origem no Oceano Pacífico, distante do território brasileiro, o El Niño altera a circulação dos ventos e da umidade, impactando diretamente a Região Norte do país.
Previsões para a Região Norte e Pará
Na Amazônia, o fenômeno traz previsões de redução das chuvas, aumento das temperaturas acima da média, atraso do período chuvoso e queda acentuada dos níveis dos rios. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) ressalta que, em anos de El Niño com intensidade forte, o oeste do Pará e outras áreas do Norte costumam enfrentar baixa umidade do ar e aumento dos incêndios florestais. Isso também compromete a qualidade do ar, agravando os problemas ambientais locais.
O que dizem os especialistas
Para o meteorologista José Raimundo Abreu, do Inmet, o El Niño se forma a partir do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que provoca mudanças na pressão atmosférica e ventos. No Norte do Brasil, isso resulta em menos chuvas e períodos de seca. Apesar dos alertas, ele afirma que, até o momento, Pará e região amazônica ainda não apresentam impactos significativos, e os parâmetros climáticos permanecem dentro da normalidade anual. “O fenômeno está em processo de consolidação, por isso recomendo cautela diante do alarmismo”, afirma.
José Raimundo destaca que as chuvas previstas para agosto ainda são significativas. Em Belém, por exemplo, a expectativa era de 120 milímetros, e até o início do mês já havia caído 70 milímetros, o que representa cerca de 58% da média. Ele explica que para considerar um mês como seco, a precipitação deveria ser inferior a 30% do esperado.
Impactos previstos e recomendações para a população
O professor Edivaldo Serrão, da Universidade Federal do Pará (UFPA), aponta que os primeiros efeitos do El Niño devem ser sentidos no leste do estado, com menor volume de chuvas, aumento da radiação solar e elevação das temperaturas. Caso as projeções se confirmem, ondas de calor podem ocorrer entre o final da primavera e o início do verão, período em que o El Niño costuma atingir sua maior força.
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Essas condições favorecem a diminuição da vazão dos rios, queda dos níveis fluviométricos e redução da umidade do solo, aumentando a vulnerabilidade a queimadas e incêndios florestais. Entre setembro e novembro, os efeitos ainda devem ser moderados, mas entre dezembro de 2026 e maio de 2027, caso o fenômeno intensifique, as precipitações deverão ser ainda menores, elevando riscos ambientais e sociais.
Consequências para setores essenciais
Os impactos do El Niño também podem afetar o abastecimento de água em comunidades ribeirinhas, a agricultura, devido à maior necessidade de irrigação e queda na produtividade, além da navegação, prejudicada pela baixa dos rios. A qualidade do ar tende a piorar com o aumento das queimadas. Em áreas urbanas maiores, como Belém, os efeitos são geralmente menores graças à infraestrutura de abastecimento, mas o monitoramento permanece essencial.
Medidas de prevenção e monitoramento
Serrão ressalta a importância do planejamento e da prevenção para minimizar os efeitos adversos do fenômeno. O monitoramento climático realizado por instituições como Inmet, Embrapa, Agência Nacional de Águas (ANA) e UFPA fornece dados importantes para orientar gestores, produtores rurais e população. Fortalecer a gestão dos recursos hídricos, elaborar planos para períodos de estiagem, apoiar agricultores, intensificar o combate às queimadas e ampliar campanhas de uso racional da água são medidas fundamentais.
Ele também destaca que a população pode colaborar evitando desperdício de água, não utilizando fogo para limpeza de terrenos e acompanhando boletins meteorológicos. “O fenômeno é natural e não pode ser evitado, mas seus impactos podem ser reduzidos com ação integrada do poder público, ciência e sociedade”, afirma.
Alerta para agricultores e criadores de gado
O meteorologista José Raimundo aconselha que os agricultores aguardem até o final de agosto ou início de setembro para receberem um relatório completo do Inmet, que ajudará no planejamento dos plantios. Quem trabalha com criação de gado deve redobrar os cuidados, já que o fenômeno pode provocar escassez de água e riscos para os animais.
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Ele enfatiza que, em um cenário de El Niño muito forte, os prejuízos podem ser significativos, com risco de morte do gado e perdas financeiras expressivas para os produtores rurais que dependem das chuvas e irrigação.
Radiação ultravioleta atinge níveis extremos em Belém
Nos dias 3 e 4 de agosto, Belém registrou índices extremos de radiação ultravioleta (UV), que aumentam o risco de danos à pele e aos olhos. As temperaturas chegaram a 34°C e 33°C, respectivamente. Índices UV acima de 11 são considerados extremos na escala de medição.
Segundo o professor Edivaldo Serrão, embora o El Niño influencie esses índices, outros fatores, como a posição do Sol, quantidade de ozônio e poluentes atmosféricos, também determinam a intensidade da radiação UV.
Cuidados necessários com a exposição solar
A médica dermatologista Thais Moutinho alerta para os efeitos imediatos e a longo prazo da exposição excessiva à radiação ultravioleta, que vão desde queimaduras e bronzeamento até fotoenvelhecimento e câncer de pele. Ela recomenda o uso constante de protetor solar adequado, além de chapéus, óculos escuros e roupas com proteção UV, mesmo em dias nublados.
Essas medidas são essenciais para proteger a população durante o verão amazônico, quando a radiação solar é mais intensa e os riscos à saúde aumentam.
