Capacitação reúne municípios para manejo sustentável do fogo
A Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de meio ambiente (Semma), promoveu nos dias 17 e 18 uma oficina regional dedicada ao Manejo Integrado do Fogo na agricultura familiar. O encontro aconteceu no Centro de Informações Ambientais (CIAM) e reuniu técnicos das secretarias de Meio Ambiente e Agricultura de diversos municípios da região. O objetivo central foi a formação técnica, o intercâmbio de experiências e a construção conjunta de estratégias para a prevenção e o manejo responsável do fogo.
Parceria entre órgãos para fortalecer ações ambientais
Essa iniciativa foi organizada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf) e a Semma de Santarém. A principal meta é aprimorar as capacidades técnicas dos gestores e equipes municipais, visando reduzir a degradação ambiental e incentivar práticas produtivas sustentáveis, aliadas à adaptação às mudanças climáticas.
Estiveram presentes representantes técnicos de municípios como Rurópolis, Trairão, Itaituba, Belterra, Mojuí dos Campos, Óbidos, Juruti, Oriximiná, Alenquer, Monte Alegre, Prainha, Curuá e Santarém, que sediou o evento.
Integração e prevenção em foco na gestão ambiental
Para a secretária municipal de Meio Ambiente, Vânia Portela, sediar a oficina em Santarém fortalece a integração regional e amplia a capacidade de atuação diante dos desafios do período de estiagem e das mudanças climáticas. Ela ressaltou que o manejo integrado do fogo demanda conhecimento, planejamento e, sobretudo, cooperação entre o poder público, instituições e comunidades.
“Receber essa formação em Santarém é uma oportunidade para qualificar nossas equipes e compartilhar experiências com outros municípios. Nosso objetivo é aprimorar a prevenção, orientar o uso responsável do fogo quando autorizado e proteger nossas florestas, a produção rural e a vida das pessoas. Esse trabalho precisa ser permanente e construído em conjunto”, afirmou a secretária.
Conteúdo abordado e aplicação prática da capacitação
No primeiro dia, a programação abordou a dinâmica do fogo na Amazônia, os impactos das mudanças climáticas, incêndios florestais, degradação ambiental e sistemas de monitoramento. Também foram discutidos os efeitos do fogo sobre a produção agrícola, recursos hídricos e biodiversidade, além dos princípios e instrumentos do Manejo Integrado do Fogo, autorizações de queima e medidas de prevenção e gestão de riscos.
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Para a agente de Fiscalização Ambiental da Semma, Angélica Sousa, a capacitação tem aplicação direta no trabalho cotidiano dos servidores. Ela destacou a importância de compreender as formas de proteger o meio ambiente e controlar o uso do fogo para evitar incêndios que prejudiquem fauna, flora e saúde da população.
“Essa formação também nos ajuda a conhecer a legislação atualizada, identificar queimadas autorizadas e orientar produtores e a comunidade, além de preparar a equipe para responder adequadamente a diferentes situações e denúncias relacionadas ao fogo”, explicou Angélica.
Gestão ambiental preventiva e diálogo com a comunidade
A técnica de Monitoramento Ambiental da Semma, Thainá Cunha, enfatizou que a oficina aproxima a gestão ambiental das práticas rurais. Segundo ela, o Manejo Integrado do Fogo alinha as atividades do agricultor familiar com técnicas de conservação, garantindo segurança na produção e respeito ao meio ambiente.
“O evento fortalece a atuação preventiva da Secretaria. Em vez de atuar apenas no combate e fiscalização após as queimadas, a iniciativa promove diálogo sobre o uso do fogo, amplia a capacitação de instituições, servidores e orienta produtores. É a gestão ambiental trabalhando lado a lado com a comunidade para proteger a floresta”, destacou Thainá.
Alternativas sustentáveis e troca de experiências entre municípios
A programação também apresentou alternativas ao uso do fogo, como conservação do solo e da água, recuperação de áreas degradadas, sistemas agroflorestais e manejo de resíduos vegetais sem queima. Além disso, o evento possibilitou a troca de experiências entre os municípios participantes.
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O analista ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Trairão, Kauê de Mendonça, ressaltou a importância dessa integração para aprimorar a atuação local, especialmente no período do verão amazônico.
“Compartilhar informações com os demais municípios do oeste do Pará, contando com a presença do IPAM, Semma de Santarém e outras secretarias, fortalece o uso e controle do fogo. Isso beneficia diretamente nossa brigada municipal e a gestão ambiental da região”, comentou Kauê.
Ele acrescentou que o conhecimento adquirido apoia a atuação da brigada municipal, permitindo um controle mais adequado do uso do fogo e a incorporação de práticas sustentáveis quando autorizado.
Construção colaborativa de planos municipais de manejo do fogo
No segundo dia, a oficina avançou para a elaboração conjunta dos Planos Municipais Integrados de Fogo e Manejo (PMIFM). Os participantes tiveram contato com modelos para criação dos planos, painéis de gestão do fogo para diagnóstico técnico e arranjos institucionais, além de atividades práticas.
Essa etapa busca transformar o conhecimento compartilhado em estratégias adaptadas à realidade local, fortalecendo a prevenção, o planejamento e a capacidade de resposta aos riscos relacionados ao fogo na região.
