Disputa eleitoral no Pará com foco no meio ambiente
A próxima eleição para o governo do Pará surge com a política ambiental e o combate às mudanças climáticas como temas centrais. Os seis candidatos ao Palácio dos Despachos apresentam propostas relacionadas ao meio ambiente, mas as diferenças entre os programas revelam visões distintas sobre o modelo de desenvolvimento econômico do estado. O debate ganha ainda mais importância após a realização da COP30 em Belém, que colocou o Pará no centro das discussões globais sobre a proteção da Amazônia e a transição para uma economia sustentável.
Propostas ambientais entre candidatos e suas divergências
Um levantamento feito pela Carta Amazônia analisou os planos de governo de Hana Ghassan (MDB), Daniel Santos (Podemos), Araceli Lemos (PSOL), Well Macedo (PSTU), Gal Leite (UP) e José Moita (Democrata), destacando os compromissos com a agenda socioambiental e o enfrentamento da crise climática. Hana Ghassan e Daniel Santos, que lideram as pesquisas eleitorais, associam a preservação ambiental à bioeconomia e ao desenvolvimento econômico. Hana Ghassan prevê ações contra o desmatamento ilegal e queimadas, fortalecimento do Plano Estadual de Bioeconomia, regularização fundiária e ambiental, além do uso de recursos do REDD+ e criação de um Plano Estadual de Adaptação Climática para proteger populações vulneráveis.
Já Daniel Santos propõe transformar a bioeconomia e a economia de baixo carbono em eixos estratégicos, atualizar o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), estimular pesquisas sobre biodiversidade e mudanças climáticas e desenvolver mecanismos de pagamento por serviços ambientais. Defende ainda mercados de carbono e compensações financeiras aos estados amazônicos pelo serviço ambiental prestado.
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Críticas e alternativas das candidaturas de esquerda
Por outro lado, as candidaturas de Araceli Lemos, Well Macedo e Gal Leite trazem uma abordagem crítica ao atual modelo econômico. Elas relacionam a questão ambiental à exploração dos recursos naturais, mineração, concentração de riqueza e à defesa dos territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Araceli Lemos estabeleceu como meta o desmatamento zero e propõe combater o garimpo ilegal e a poluição de rios. Defende ainda o apoio à bioeconomia e ao turismo comunitário, com protagonismo das populações tradicionais, e condiciona licenças de mineração ao uso de mão de obra local e à verticalização da produção.
Gal Leite rejeita a financeirização da natureza e os mercados de carbono, defendendo que o licenciamento ambiental permaneça sob controle público e que haja consulta prévia aos povos indígenas e comunidades tradicionais. Propõe planos regionais de adaptação climática voltados para populações vulneráveis, recuperação de áreas degradadas e fortalecimento da agricultura familiar e agroecologia. Well Macedo questiona o agronegócio, mineração e grandes obras, sugerindo a suspensão de sete grandes empreendimentos para estudos independentes sobre seus impactos socioambientais e climáticos. Também critica o sistema de créditos de carbono e defende reforma agrária, demarcação de terras indígenas e recuperação ambiental.
Propostas de desenvolvimento rural e desafios do mercado de carbono
José Moita aposta em um modelo que conecta preservação ambiental e desenvolvimento rural. Seu programa inclui monitoramento por satélite para zerar o desmatamento ilegal, regularização ambiental e fundiária, além da recuperação de 1,5 milhão de hectares de pastagens degradadas por meio do Plano ABC+, focado na agricultura de baixo carbono. Os programas de Hana Ghassan, Daniel Santos e José Moita apostam no mercado de carbono e no pagamento por serviços ambientais como ferramentas para financiar a conservação.
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Enquanto isso, candidaturas como as de Gal Leite e Well Macedo se posicionam contra a financeirização da natureza, rejeitando a transformação da floresta em ativo financeiro. A posição do PSOL, representada por Araceli Lemos, também é crítica ao mercado de carbono como solução para a crise climática.
Mandato que enfrentará desafios climáticos até 2030
O governador eleito em outubro iniciará o mandato em janeiro de 2027, com término previsto para 2030, ano em que o Brasil deve cumprir metas importantes de redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. O novo governo terá que lidar com riscos de eventos climáticos extremos, como secas severas, incêndios e vulnerabilidade das comunidades ribeirinhas. Organizações como o Observatório do Clima reforçam que as decisões tomadas terão impacto direto na vida das pessoas e na preservação ambiental do Pará, destacando a urgência de políticas eficazes para o enfrentamento dessas ameaças.
