Literatura que Encanta e Transforma
Mariana de Castro Sarmento de Andrade, escritora e poetisa paraense, marcou presença na Bienal Internacional do Livro de São Paulo no dia 5 de setembro, trazendo para o evento um pouco da riqueza cultural de Santarém, Alter do Chão, do Rio Tapajós e do Pará. Em uma sessão de autógrafos no Espaço Leia Mais, a autora apresentou seu romance A Filha que o Rio Guardou, onde a Amazônia é muito mais que cenário: é memória, identidade e um personagem vivo na narrativa.
Raízes Profundas e Narrativas da Amazônia
Nascida em Belém e com laços familiares em Santarém, Mariana nutre desde criança uma ligação profunda com a história do oeste paraense. Seu interesse pela arqueologia, antropologia, rios e narrativas da região aparece em seus textos desde a infância, passando da poesia aos contos e, finalmente, ao romance. Essa relação afetiva e intelectual é o fio condutor de A Filha que o Rio Guardou, obra que a autora considera uma verdadeira declaração de amor à terra amazônica.
No livro, Mariana constrói um universo que dialoga com a cultura Borari, a cerâmica tapajônica, a arqueologia regional, as encantarias amazônicas e a cosmovisão dos povos originários e ribeirinhos. O rio e a floresta, os vestígios dos antigos habitantes e as histórias transmitidas entre gerações ganham vida em uma narrativa que mistura mistério, ancestralidade e pertencimento.
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A Voz da Região e a Relação com a Natureza
A autora apresenta uma Amazônia com voz própria, capaz de revelar memórias e formas singulares de entender a relação entre humanos, natureza e ancestralidade. “Vou à Bienal levando comigo Alter do Chão, Santarém e o Pará. Quero que cada leitor encontre, nas páginas do meu livro, um pouco da nossa arqueologia, da nossa ancestralidade, das encantarias e da maneira tão particular como os povos da Amazônia compreendem o rio, a floresta, a vida e a memória”, afirmou Mariana.
Poesia e Conto Também Marcam Presença na Bienal
Além do romance, Mariana levou para São Paulo suas produções em poesia e conto. Ela participa das coletâneas Lago Encantado, na poesia, e A Feiticeira do Espelho d’Água, no conto. Essas obras continuam a explorar as águas, o imaginário e a simbologia da Amazônia, compondo a coletânea Percorrendo o Mundo em Prosa & Verso, que será lançada no dia 11 de setembro durante a programação da Bienal.
Com essas três vertentes — romance, poesia e conto — a escritora mantém seu compromisso com a memória, a ancestralidade e a Amazônia como tema central, reforçando a diversidade e profundidade da cultura da região.
Circulação Literária e Novos Diálogos
Participar de um evento literário dessa magnitude permitiu a Mariana conhecer outras experiências, trocar ideias e pensar em caminhos para ampliar a circulação da literatura amazônica. “Estar entre leitores, escritores e editoras, conhecer novas histórias e apresentar um pouco de Santarém, Alter do Chão, do Tapajós e da nossa cultura é algo muito especial para mim”, disse a autora.
Reconhecimento da Cultura Regional
Priscila Castro, secretária municipal de Cultura, destacou a importância da participação de Mariana na Bienal. Segundo ela, a presença da autora contribui para ampliar a visibilidade da produção cultural de Santarém, Alter do Chão e do Tapajós, valorizando a identidade amazônica e levando sua literatura a novos leitores e territórios. “Quando a Amazônia é narrada a partir de suas próprias vozes, memórias e experiências, fortalecemos nossa cultura e mostramos sua diversidade para o Brasil e o mundo”, afirmou Priscila.
Amazônia em Primeiro Plano
A participação de Mariana na Bienal Internacional do Livro de São Paulo é uma oportunidade concreta de colocar em circulação uma Amazônia narrada a partir de suas referências culturais — das cerâmicas tapajônicas às encantarias, dos saberes ancestrais às águas de Alter do Chão. Essa presença reforça a importância de dar voz e espaço à literatura produzida na região, contribuindo para que a cultura amazônica ganhe o destaque que merece.
