Uma celebração da arte e da cultura amazônica
O Arte Pará 2026 abre suas portas em 5 de novembro para apresentar uma mostra que dialoga com as transformações e os ciclos da criação artística em Belém. Organizado pelo Grupo Liberal, o evento destaca a trajetória da arte no Pará a partir da exposição de obras de 25 artistas selecionados, entre eles Samir Dams, Matheus Duarte e Alessandro Falco. A mostra, que completa sua 42ª edição, homenageia a artista Carmen Sousa, com uma sala dedicada exclusivamente às suas obras, reconhecendo sua contribuição fundamental para as artes locais.
Este ano, o evento ganha ainda mais significado ao celebrar os 80 anos do Jornal O Liberal e revisitar o legado do casal Romulo Maiorana (1922-1986) e Déa Maiorana (1934-2026), que, em 1982, transformaram o Grupo Liberal em um polo de valorização da arte produzida na Amazônia. A curadoria está a cargo da artista visual Keyla Sobral, e a realização é possível graças à Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio da Phebo e da Vale.
Alessandro Falco: a ética e a estética do fotojornalismo na Amazônia
Com 40 anos, o fotógrafo italiano Alessandro Falco participa pela primeira vez do Arte Pará. Seu trabalho une jornalismo e arte, focando na complexidade das questões sociais, ambientais e humanitárias da região amazônica. “Grande parte do meu trabalho nasce da convivência e observação dos territórios e pessoas da Amazônia”, conta o artista. Falco atua como correspondente visual para revistas e veículos internacionais, dedicando-se a pautas que revelam conflitos e contradições invisíveis ao grande público.
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Ao chegar ao Brasil em 2014, durante a Copa do Mundo, descobriu nas desigualdades sociais e protestos civis as narrativas que moldariam sua trajetória profissional. Para ele, a fotografia é uma ferramenta que permite diálogo e aproximação empática com realidades frequentemente marginalizadas, transformando experiências em narrativas visuais. Seu portfólio inclui temas como desmatamento, garimpo ilegal, trabalho escravo e crise climática.
Matheus Duarte e a arte como pesquisa sobre identidade e memória
O jovem artista visual Matheus Duarte, de 23 anos, estreia no Arte Pará com uma obra que reflete sua experiência como pintor negro paraense. Formado em Artes Visuais pela Universidade da Amazônia (Unama) e mestrando do PPGArtes, ele constrói seu trabalho principalmente na pintura a óleo, explorando questões raciais, memória e formas de representação. “Minha arte nasce da coletividade e busca dialogar com as diferentes experiências e saberes que me atravessam”, explica.
Desde a infância, Matheus guarda memórias de desenhar nas paredes de casa, um hábito que evoluiu para uma prática artística que questiona identidades e narrativas sociais. Para ele, participar do Arte Pará representa uma conquista importante, abrindo espaço para ampliar a visibilidade da arte negra e paraense.
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Samir Dams: traduzindo o cotidiano do Comércio de Belém em arte contemporânea
Com 34 anos de atuação artística, Samir Dams apresenta no Museu do Estado do Pará (MEP) um trabalho que dialoga com o espaço urbano amazônico, misturando desenho, pintura expandida, fotografia e instalação. Sua trajetória começou nas oficinas da Fundação Curro Velho e se aprofundou na graduação em Artes Visuais e Tecnologia da Imagem pela Unama.
Samir destaca o “Comércio de Belém” como referência central para sua produção, que aborda temas como dinâmica social, território e memória. Na residência artística na Alemanha, em 2025, desenvolveu a série “Cores do Norte”, que usa a chita para explorar camadas sociais da região. Para ele, integrar o Arte Pará representa a consolidação de sua pesquisa visual e a oportunidade de pulsar a visualidade urbana belenense no circuito contemporâneo.
Além da arte, Samir atua como microempreendedor no setor de gastronomia, mostrando a multiplicidade de sua relação com a cultura e o cotidiano local. O Arte Pará 2026 segue como um importante espaço para visibilizar a diversidade e a força da produção artística da Amazônia, conectando público, artistas e territórios em um diálogo contínuo sobre identidade e criatividade.
