Compromissos e controvérsias na política ambiental de Flávio Bolsonaro
Durante uma motociata em Marabá, no Pará, Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, revelou detalhes sobre sua visão para o Meio Ambiente caso seja eleito. Ele prometeu remover restrições ambientais consideradas ideológicas e ampliar a regularização fundiária no estado. Sem detalhar quais normas seriam modificadas, defendeu que os proprietários tenham mais liberdade para plantar, criar gado e explorar economicamente suas terras. “Você vai poder plantar, criar gado, fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu”, afirmou.
Plano de governo entre preservação e flexibilização
O programa de Flávio Bolsonaro apresenta uma postura que mescla compromissos ambientais com a flexibilização de controles. O candidato propõe eliminar o desmatamento ilegal até 2029, usar satélites e inteligência artificial para fiscalização, além de incentivar o mercado de carbono, a bioeconomia e o pagamento por serviços ambientais. Entretanto, o plano inclui o autolicenciamento ambiental em algumas situações, a redução da sobreposição entre órgãos públicos e a ampliação da exploração de minerais, petróleo e gás, incluindo o controverso fraturamento hidráulico, técnica associada a riscos ambientais elevados. O documento não estabelece metas claras para redução das emissões de gases nem cronograma para a transição energética.
Continuidade da agenda de Jair Bolsonaro e preocupações ambientais
A ênfase na liberdade para exploração das propriedades rurais reforça a continuidade da agenda de Jair Bolsonaro, que criticava a regulação ambiental em favor das atividades produtivas. Em 2019, Flávio Bolsonaro e o senador Márcio Bittar chegaram a apresentar um projeto para extinguir a exigência da Reserva Legal, área mínima de floresta nativa que deve ser mantida nas propriedades rurais, mas a proposta foi retirada e arquivada.
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Ambientalistas e executivos de grandes empresas com programas de sustentabilidade manifestam preocupação com o risco de retrocesso nas políticas ambientais caso o governo de Flávio Bolsonaro seja implementado. Essa inquietação surge em um momento em que o Brasil alcança recorde na redução do desmatamento.
Contexto atual do desmatamento na Amazônia Legal
Dados oficiais indicam que entre agosto de 2025 e julho de 2026, a área desmatada na Amazônia Legal caiu 42%, totalizando 3.335 quilômetros quadrados — o menor índice desde 1988, início da série histórica. A queda acumulada em relação a 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, chega a 71%. No Pará, estado com maior área desmatada, o recuo anual foi de 45%.
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Durante o governo de Jair Bolsonaro, houve aumento de quase 60% na taxa anual de desmatamento na Amazônia Legal. A frase emblemática do ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre a necessidade de “passar a boiada” em regulações ambientais resume a abordagem adotada na época.
