Pará concentra a maior parte das áreas protegidas sob pressão na Amazônia
O Pará abriga metade das áreas protegidas mais pressionadas e ameaçadas da Amazônia, somando seis unidades de conservação (UCs) e quatro terras indígenas (TIs) que enfrentam níveis elevados de desmatamento. Os demais estados que figuram no ranking são Amazonas, com uma UC e cinco TIs, Acre, com quatro UCs e uma TI, e Roraima, com duas TIs. Essa concentração evidencia o desafio ambiental enfrentado pelo Pará, estado que desempenha papel central na preservação da floresta amazônica.
Áreas de Proteção Ambiental do Pará destacam-se no desmatamento interno
Entre as unidades do Pará, as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Arquipélago do Marajó e Triunfo do Xingu aparecem respectivamente em segundo e terceiro lugar no ranking de pressão por desmatamento, referente ao período de julho a setembro. O território do Marajó abrange 12 municípios, com maior incidência de desmatamento no município de Chaves, que representa 22% dos registros. Já Triunfo do Xingu concentra o desmatamento principalmente entre São Félix do Xingu (65%) e Altamira (35%).
A liderança geral no trimestre pertence à Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, que inclui sete municípios, com a maior parte das ocorrências em Xapuri (32%). Esses dados fazem parte do boletim trimestral “Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas”, elaborado pelo instituto de pesquisa ambiental Imazon, que acompanha o impacto do desmatamento em unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia Legal.
Metodologia do Imazon destaca ameaça e pressão em áreas protegidas
O estudo do Imazon distingue entre “pressão”, que corresponde ao desmatamento dentro dos limites das áreas protegidas, e “ameaça”, que indica a perda florestal no entorno, em um raio de até 10 km. Essa abordagem, que divide a Amazônia Legal em células de 10×10 km, permite identificar antecipadamente o avanço da devastação e direcionar ações estratégicas de fiscalização.
Leia também: Alertas de desmatamento disparam no Pará e impulsionam alta na Amazônia
Leia também: Futuro secretário do Meio Ambiente do Pará enfrenta multa milionária por desmatamento
A pesquisadora Bianca Santos, do Imazon, ressalta que o monitoramento dessas áreas é essencial para orientar medidas preventivas e integrar esforços entre municípios, estados e governo federal para combater o desmatamento ilegal nos territórios mais vulneráveis.
Territórios indígenas continuam sofrendo invasões ilegais
Entre os dez territórios com maior pressão de desmatamento, quatro são terras indígenas: Waimiri Atroari (AM/RR), Andirá-Marau (AM/PA), Vale do Javari (AM) e Yanomami (AM/RR). Apesar das reduções observadas nos últimos quatro anos, essas áreas continuam sendo alvos de invasões ilegais, especialmente para atividades agropecuárias e garimpo, segundo Bianca Santos.
Ranking das Áreas Protegidas mais pressionadas e ameaçadas
No ranking de pressão por desmatamento interno, destacam-se:
- Resex Chico Mendes (AC)
- APA Arquipélago do Marajó (PA)
- APA Triunfo do Xingu (PA)
- APA do Lago de Tucuruí (PA)
- TI Waimiri Atroari (AM/RR)
- TI Andirá-Marau (AM/PA)
- TI Vale do Javari (AM)
- TI Yanomami (AM/RR)
- APA do Tapajós (PA)
- Resex Alto Juruá (AC)
Já no ranking de ameaça, que avalia o desmatamento no entorno das áreas protegidas, os destaques são:
Leia também: Pará lidera incêndios no Brasil com mais da metade dos focos ativos
Leia também: Pará reduz emissões de CO₂ em mais de 40% e avança na luta contra o desmatamento
- Resex Chico Mendes (AC)
- Flona do Iquiri (AM)
- Parna da Serra do Divisor (AC)
- Parna da Amazônia (PA)
- Resex do Cazumbá-Iracema (AC)
- TI Trincheira/Bacajá (PA)
- TI Arara (PA)
- APA do Lago de Tucuruí (PA)
- TI Kulina do Médio Juruá (AC/AM)
- TI Parakanã (PA)
Medidas urgentes para conter avanço do desmatamento
A pesquisadora do Imazon alerta para a necessidade de ações imediatas nos territórios mais ameaçados para impedir que o desmatamento em seu entorno penetre nas áreas protegidas. Essas medidas são fundamentais para que o Brasil avance no compromisso de zerar o desmatamento até 2030.
Abordagem inovadora para antecipar a devastação
A metodologia aplicada pelo Imazon é distinta do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que contabiliza o total de perda florestal. Ao dividir a Amazônia Legal em células de 10 km por 10 km e monitorar a ocorrência de desmatamento em cada uma, o estudo consegue identificar quais territórios estão mais pressionados e ameaçados, antecipando o avanço da destruição ambiental.
Essa técnica oferece uma ferramenta valiosa para orientar políticas públicas e estratégias de fiscalização, contribuindo para a proteção das unidades de conservação e terras indígenas que abrigam a maior biodiversidade do planeta.
