Carnaval em Belém: Sete Agremiações Celebram a Cultura Paraense em Grande Estilo
O desfile das escolas de samba do Grupo Um agitou o corredor da folia na Aldeia Amazônica, localizada no bairro da Pedreira, em Belém (PA), na noite do último sábado, dia 07. Organizado pela Prefeitura de Belém, através da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), o evento teve início por volta das 22h e contou com a participação de sete agremiações. As escolas se apresentaram em busca de duas vagas para o Grupo Especial, prometendo uma noite repleta de enredos que exaltaram a riqueza da cultura amazônica, a religiosidade e a identidade popular, além de homenagens a figuras históricas do Pará.
O superintendente da Secult, Aiuá Reis, destacou a importância da disputa. “Neste desfile, que representa o primeiro grupo, duas escolas garantirão o acesso ao Grupo Especial. Na terça-feira, dia 10, começaremos a apuração, iniciando pelo grupo de avaliação, seguido do segundo e finalmente o primeiro grupo”, explicou.
Império Jurunense e a Cultura Regional
A abertura dos desfiles ficou por conta da Associação Carnavalesca Império Jurunense, que trouxe o enredo “Princesinha do Vale do Acará: Onde a Ancestralidade floresce em União e Força”. Inspirado na história de Concórdia do Pará, a agremiação valorizou a cultura local e a trajetória de emancipação do município. O presidente da escola, Sérgio Moraes, enfatizou a proposta de um carnaval com identidade regional: “Este ano, nossa intenção é honrar nosso estado, contrastando com outras festas que imitam o Carnaval carioca e paulistano. Buscamos destacar o melhor do nosso Pará”, disse.
Moraes ainda comentou sobre a escolha de Concórdia, que reflete a própria história da escola, que também lutou por sua emancipação. “Integrar a comunidade de Concórdia na nossa apresentação é um jeito de demonstrar a força da união em nosso carnaval”, ressaltou.
Homenagens e Temas Inspiradores
A segunda escola a desfilar, a Coração Jurunense, apresentou o tema “Erê, a Encantaria de Brincar no Coração Jurunense”, homenageando as crianças das religiões de matriz africana. O presidente Mário do Espírito Santo dos Santos disse que o enredo traz valores de amor e paz. “Estamos destacando as crianças, trazendo duas alas apenas com elas. Falar de Erê é algo especial para nós”, afirmou.
Os erês, entidades espirituais com energia infantil nas tradições afro-brasileiras, foram representados com elementos lúdicos e coloridos durante o desfile. A escola fez uma verdadeira festa para celebrar a pureza e alegria dessas crianças encantadas.
Piratas da Batucada e a Magia da Noite
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas da Batucada, com seu enredo sobre os mistérios da noite, também fez uma apresentação marcante. O vice-presidente, Edmilson Pereira, comentou sobre o tema: “Focamos na criação da noite e tudo que envolve essa magia”. A agremiação levou à avenida cerca de 700 brincantes, explorando personagens e narrativas noturnas.
Homenagem a Iemanjá e a Riqueza da Cultura Popular
O Grêmio Recreativo Social e Cultural Escola de Samba Mocidade Olariense trouxe a importância da Orixá Iemanjá com o enredo “Odoyá, salve a Rainha do Mar”. O presidente Jair Nazareno Rodrigues Lima detalhou que as alegorias exaltaram a beleza do mar, refletindo a riqueza das tradições africanas que permeiam a cultura do Pará.
Guardiões do Samba e a Diversidade Cultural
A Escola de Samba Guardiões do Samba apresentou o enredo “Brazil, Teu Avesso Tem Mais Brilhos, Em Teus Brilhos Mais Amores”, que desafiou a visão idealizada do país. Com seis anos de história, a escola enfatiza a união comunitária em seus desfiles, convocando cerca de 800 brincantes para a celebração.
Rancho Não Posso Me Amofiná e a Celebrar o Brega
Fechando as apresentações do Grupo Um, a agremiação Rancho Não Posso Me Amofiná apresentou “Amazônia, Uma Epopeia de Coragem e Preservação: Belém, Capital Mundial do Brega”. O presidente Jackson Santarém ressaltou a importância do brega para a identidade cultural local. “Belém é um celeiro cultural e o brega sempre foi parte de nossa essência. Com essa apresentação, homenageamos os grandes talentos do nosso estado”, explicou.
Alegria Alegria e a História de Hélio Gueiros
O encerramento foi com a Associação Carnavalesca Alegria Alegria, que homenageou Hélio Gueiros com o enredo “Alegria, Alegria! O Povo Canta Hélio Gueiros, Cem Anos de Amor pelo Pará”. O desfile celebrou a trajetória do ex-governador e sua influência na cultura do estado, apresentando uma narrativa que revela a conexão entre seu legado e a identidade paraense.
