A Trajetória de António José Seguro
O dia 28 de setembro de 2014 marcou o fim de uma era para António José Seguro. Em um discurso contundente, ele anunciou: “Cesso hoje as funções de secretário-geral do PS”, após ser derrotado por António Costa nas primárias socialistas. A imagem de Seguro saindo do Largo do Rato, de mãos dadas com sua esposa e filha, simboliza os dez anos que esteve afastado da política.
Durante esse período, Seguro construiu uma nova vida entre Lisboa, onde lecionou, e as Caldas da Rainha, terra de sua esposa, além de Penamacor, sua cidade natal. Investindo em um Alojamento Local e na produção de azeite e vinho – o produto Serra P, em homenagem ao pai – Seguro se afastou do cenário político, mas não da vida pública. Em entrevista, Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro e amigo de longa data de Seguro, coloca seu retorno em perspectiva, associando a noite de sua saída ao ressurgimento do novo Presidente da República.
Um Novo Começo na Política
Embora não tenha se tornado primeiro-ministro, Seguro agora ocupa a presidência. Miguel Relvas, ex-ministro de Pedro Passos Coelho, reconhece que o cenário poderia ter sido diferente: “Em vez de primárias, 2014 poderia ter sido o ano das legislativas, se Seguro tivesse aceitado o acordo de salvação nacional proposto pelo PS.” Relvas acredita que essa decisão foi um erro crucial que o levou a perder o partido para António Costa.
Com os críticos internos clamando por mudanças, Seguro se questionava: “Qual é a pressa?” Essa indagação ecoou durante seu afastamento da política, onde permaneceu ausente, mas não alheio. Em momentos de crise, como os conflitos no ministério das Infraestruturas, Seguro expressou suas preocupações, afirmando que “os portugueses merecem melhor”.
Um Regresso Gradual
Com a maioria absoluta do PS em risco, Seguro começou a sinalizar seu retorno ao cenário político. Em novembro de 2024, ele se tornou comentarista na televisão e sua candidatura à presidência foi evidente. Em 15 de junho de 2025, lançou oficialmente sua corrida ao Palácio de Belém, lembrando que partiu para essa missão quase sozinho, sem o respaldo formal do PS até três meses antes da eleição.
Relvas acredita que, nos próximos anos, Seguro se mostrará mais institucional, discreto e seguro do que seus antecessores. Ele descreve um Presidente que evita polêmicas desnecessárias e busca um diálogo constante com a sociedade. Campos Fernandes endossa essa visão, ressaltando a capacidade de Seguro de se conectar com as pessoas, um aspecto que ele compartilha com Marcelo Rebelo de Sousa.
Concertação como Marca do Mandato
Durante a campanha, “estabilidade” foi uma palavra-chave para Seguro, que enfrentou um cenário de instabilidade política. Relvas prevê que seu governo será caracterizado por um esforço de concertação entre governo e oposição, buscando unir forças em vez de dividi-las. “Ele não quer eleições por eleições”, diz Relvas, citando a possibilidade de apoiar um governo sem maioria.
O mandato de Seguro começa em meio a incertezas globais e um Parlamento fragmentado. As comparações entre seus dez anos de afastamento e os cinco anos de presidência colocam em perspectiva a longa jornada política. Com uma ascensão nas sondagens de 6% a 66%, levado por mais de três milhões de votos, o futuro de António José Seguro na política portuguesa se apresenta promissor.
