Aumentos nos Preços da Cesta Básica em Belém
No mês de fevereiro, o preço da cesta básica em Belém voltou a subir, alcançando o valor de R$ 674,12. Esta alta, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), reforça a pressão que a alimentação exerce sobre o orçamento das famílias paraenses. O aumento registrado foi de 0,08% em comparação a janeiro, quando a cesta custava R$ 673,55. Embora a variação mensal seja considerada pequena, ela indica que os preços continuam elevados, comprometendo uma parte significativa da renda dos trabalhadores na região.
A pesquisa detalha que, entre os doze itens que compõem a cesta básica, cinco apresentaram aumento de preço em fevereiro. O feijão carioca, por exemplo, teve um incremento expressivo de 18,63%, seguido pela manteiga (0,81%), banana (0,73%), carne bovina de primeira (0,56%) e açúcar cristal (0,53%). Em contrapartida, sete produtos mostraram queda de preço no mesmo período. O óleo de soja, por exemplo, teve uma redução de 6,67%, seguido pelo tomate (-3,32%), leite integral (-2,58%), farinha de mandioca (-1,97%), pão francês (-0,59%), arroz agulhinha (-0,46%) e café em pó (-0,20%).
Impacto no Salário dos Trabalhadores
Com os valores em alta, o trabalhador de Belém precisa destinar cerca de 44,96% do salário mínimo líquido para adquirir os alimentos básicos ao longo do mês. Em termos práticos, isso significa que um trabalhador que recebe salário mínimo deve dedicar aproximadamente 91 horas e 29 minutos de sua carga mensal de 220 horas apenas para garantir a compra dos itens essenciais à alimentação. Este cenário evidencia a dificuldade enfrentada pelas famílias paraenses em equilibrar suas despesas com as receitas.
Considerando uma família modelo com dois adultos e duas crianças, o gasto estimado exclusivamente com alimentação básica chegou a R$ 2.022,36 em fevereiro. Esse valor equivale a cerca de 1,24 salários mínimos, tendo como base o piso nacional atual de R$ 1.621,00. Essa realidade ressalta a expressiva influência da alimentação nos custos de vida das famílias na região.
Acumulado dos Primeiros Meses de 2026
No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, a cesta básica em Belém registrou um crescimento de 1,13%. Os principais aumentos nesse período foram verificados no feijão carioca (22,75%), tomate (8,40%), banana (3,07%), carne bovina de primeira (1,94%) e pão francês (0,36%). Por outro lado, produtos como farinha de mandioca (-20,58%), óleo de soja (-9,86%), arroz agulhinha (-5,63%), leite integral (-3,82%), manteiga (-2,22%), açúcar cristal (-2,06%) e café em pó (-1,83%) experimentaram quedas de preço.
O estudo também investiga qual seria o salário mínimo ideal para cobrir as despesas básicas de uma família brasileira. Em fevereiro de 2026, o DIEESE estimou que esse valor deveria ser de R$ 7.164,94, o que representa 4,42 vezes o salário mínimo atual, fixado em R$ 1.621,00. Este cálculo leva em consideração não apenas os gastos com alimentação, mas também despesas relacionadas a moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência, conforme estabelecido pela Constituição Federal.
