Nova Legislação Busca Proteger Animais em Situações Críticas
O Governo Federal anunciou, na última quinta-feira (12/3), a promulgação da Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados (AMAR). Esta iniciativa visa consolidar políticas públicas focadas na proteção animal durante emergências e desastres ambientais, um tema que se torna cada vez mais relevante devido à intensificação dos eventos climáticos extremos no Brasil.
A principal meta da nova legislação é reduzir a mortalidade dos animais afetados por situações adversas, que têm aumentado em frequência e intensidade, resultado das mudanças climáticas. A sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi realizada em um momento emblemático, durante a Semana Nacional dos Animais, que contou com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
“A sustentabilidade abrange diversas dimensões. Em um mundo repleto de distopias, guerras e desrespeito à democracia, o compromisso do presidente Lula é uma vitória para milhões de espécies e animais”, afirmou Marina Silva durante a celebração.
Gleisi Hoffmann destacou a relevância da nova lei em resposta a calamidades, mencionando os desastres recentes que afetaram o Rio Grande do Sul e Minas Gerais. “Esta lei servirá como um importante instrumento para o resgate, abrigo, reabilitação e destinação de animais domésticos em situações críticas. Diante dos desafios climáticos que enfrentamos, é fundamental organizar a proteção animal em nosso território”, comentou.
Articulação e Regras para Resgate de Animais
A nova política estabelece que a União, estados e municípios deverão trabalhar de forma integrada para assegurar uma resposta eficaz em casos de desastres ambientais. Além disso, determina que o manejo de animais resgatados seja incluído nos planos de contingência da Defesa Civil, tornando os protocolos mais robustos e eficientes para eventos extremos.
O texto da lei detalha procedimentos para o atendimento a esses animais resgatados. Equipes bem treinadas deverão realizar o resgate sob a supervisão de profissionais qualificados, e os animais que apresentarem sintomas de doenças serão submetidos a avaliações veterinárias, incluindo eventuais isolamentos para tratamento.
Animais domésticos deverão ser devidamente identificados para garantir a devolução aos seus tutores, enquanto aqueles da fauna silvestre que estiverem aptos terão a chance de retornar ao seu habitat natural ou participar de programas de reabilitação. A legislação também prevê a criação de centros específicos para triagem e reabilitação da fauna.
Todas as informações relacionadas ao resgate, cuidados e destinação dos animais, incluindo casos de eutanásia, deverão ser registradas e disponibilizadas publicamente na internet, promovendo assim a transparência e a responsabilização.
Compromisso com a Proteção Animal
A tramitação da nova lei foi acompanhada de perto pelo Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais (DPDA) do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Para a diretora do DPDA, Vanessa Negrini, a sanção representa uma mudança significativa na abordagem do Estado em relação aos desastres ambientais. “Os animais são vítimas e precisam ser considerados nas políticas públicas de prevenção e resposta a desastres. Esta política fortalece a capacidade do Estado de salvar vidas em situações de emergência”, enfatizou.
Além de estabelecer medidas corretivas, a nova legislação também aborda ações preventivas. Um exemplo disso é a exigência para que empreendimentos que necessitem de licenciamento ambiental implementem estratégias para mitigar os impactos sobre a fauna em caso de desastres.
Outro ponto importante da lei é a inclusão da proteção animal em legislações já existentes. A iniciativa altera a Lei de Crimes Ambientais para prever punições em casos de desastres que afetem animais e incorpora diretrizes relacionadas à fauna na Política Nacional de Segurança de Barragens.
Participação Social e Mobilização Nacional
A promulgação da nova lei é uma resposta a uma demanda social expressa nos recentes processos participativos realizados pelo Governo e pelo MMA. A proteção de animais em situações de desastres foi uma das propostas mais votadas no Plano Plurianual Participativo (PPA), também foi um ponto destacado na 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (5ª CNMA) e está entre as prioridades do Plano Clima Participativo.
A semana que celebra os animais foi marcada por um evento que junta representantes do governo, pesquisadores e especialistas para discutir e desenvolver políticas públicas voltadas para a proteção e defesa dos animais no Brasil. Este momento é considerado histórico, simbolizando um esforço coletivo em prol da causa animal, com debates ricos e anúncios de novas iniciativas.
