A Amazônia é agora!
A exposição “Arte, Amazônia e Seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”, promovida pela ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, reúne obras de 18 artistas, coletivos e comunicadores de diferentes regiões do Brasil. Com o intuito de celebrar a força criativa, política e ancestral da Amazônia e de seus povos, a mostra está também disponível em um catálogo digital.
As criações expostas incluem linguagens variadas, como fotografia documental, bordado, pintura, performance, arte digital e ilustração. Juntas, essas obras convidam o público a enxergar a Amazônia não apenas como um bioma, mas como um território vivo, habitado e defendido por comunidades que sustentam a floresta através de saberes, memórias e resistência.
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Segundo o curador convidado Emerson Caldas, cientista social formado pela Universidade do Estado do Pará e mestrando em Artes na Universidade Federal do Pará, “Entre comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas e periféricas, os conhecimentos ancestrais germinam nas roças, quintais, florestas, rios e igarapés. Artistas e intelectuais comprometidos com a mudança das visões racistas e coloniais sobre a região seguem criando a partir desse contato, estabelecendo fissuras nas perspectivas que violentam as vidas amazônicas. Essas produções artísticas são caminhos para restabelecer a conexão com a vida”.
Desafios da COP 30 e justiça climática
As obras selecionadas para a exposição foram escolhidas por sua potência poética, clareza de mensagem e diversidade territorial. Elas dialogam diretamente com os desafios da COP 30, realizada em Belém do Pará em 2025, e com as urgências relacionadas à justiça climática, à soberania dos povos tradicionais e à proteção da biodiversidade. A exposição prioriza artistas da Região Norte do Brasil, mas também inclui criadores de outros estados que mantêm vínculos com as discussões amazônicas, representando localidades como Roraima, Rondônia, Amazonas, Pará, Acre, Maranhão, Ceará, Alagoas, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
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Dentre os trabalhos em destaque, há peças que reinterpretam ancestralidades indígenas, que denunciam os impactos ambientais como queimadas e poluição dos rios, além de obras que documentam a vida ribeirinha, quilombola e comunitária. Também são apresentados registros de marchas e mobilizações dos povos amazônicos, celebrações de rituais e gestos cotidianos, reafirmando a arte como uma ferramenta de luta, memória e imaginação política.
Uma Linguagem de Resistência
Cada obra exposta, que vai desde representações da floresta até a vida nas comunidades, reafirma que a Amazônia somos nós. As narrativas de mulheres indígenas e periféricas, os registros da vida ribeirinha e as críticas sobre a crise climática se entrelaçam, mostrando que a arte é uma linguagem essencial para fortalecer o debate público, ampliar vozes historicamente silenciadas e promover o direito à livre expressão, fundamental para enfrentar as desigualdades socioambientais e construir futuros possíveis.
Ao visitar a exposição, o público é convidado a visualizar a Amazônia de maneira mais próxima e real: como um território de luta, afeto, diversidade e esperança. Um lugar que pulsa em cada artista, em cada povo, em cada rio e em cada gesto criativo.
O título “A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!” transcende a mera denominação da mostra. Trata-se de um chamado urgente – político, poético e coletivo – para agir, escutar e proteger aqueles que defendem a floresta.
