Da Adversidade ao Empreendedorismo: A História de Monique Elma
Monique Elma, natural de Oeiras do Pará, percorreu um caminho marcado por desafios até consolidar seu negócio em Belém. Chegando à capital ainda criança, acompanhando seus pais agricultores, ela vivenciou de perto a realidade de famílias que buscam melhores oportunidades longe do interior. A infância simples, permeada por esforço e valores firmes, como honestidade e coragem, moldou sua determinação.
O fascínio pelas flores surgiu desde cedo, mas foi a necessidade que a empurrou para o mundo do empreendedorismo. Aos 15 anos, mãe solo, interrompeu os estudos e assumiu responsabilidades que a fizeram trabalhar em diferentes funções – de babá a vendedora – sempre buscando garantir o sustento do filho. O contato com uma floricultura despertou um propósito, mesmo diante do fechamento do estabelecimento onde trabalhava.
Superando Perdas e Recomeçando com Resiliência
Decidida a empreender, Monique investiu em um empréstimo para abrir sua própria floricultura, enfrentando, porém, a falta de experiência e as adversidades climáticas de Belém. A alta umidade e calor comprometeram o estoque, e a empresa fechou em dois meses. Vendeu bens pessoais para se manter, mas não desistiu.
Com perseverança, voltou a vender arranjos em casa, depois expandiu para um quiosque em shopping, etapa fundamental para sua trajetória. A pandemia impôs novo fechamento, mas o amor pelas flores e a vontade de garantir o futuro do filho foram forças que impulsionaram o recomeço. Hoje, a Flor e Flor gera emprego para oito colaboradores e é a principal fonte de renda da família.
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Pequenos Negócios São a Base da Economia Paraense
O impacto econômico de histórias como a de Monique é refletido nos dados do Caged analisados pelo Sebrae/PA: os pequenos negócios representam 97% das empresas no Pará e foram responsáveis por 94% dos empregos formais gerados em 2025. Para Igo Silva, gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae/PA, essas empresas são essenciais para movimentar a economia local, gerar empregos e manter a atividade econômica em municípios, bairros e distritos.
Segundo ele, o desafio está em transformar atividades iniciadas por necessidade em negócios estruturados, o que requer formalização, planejamento, controle financeiro e capacitação constante. O Sebrae/PA atua para apoiar esse processo, oferecendo consultorias e incentivos à transformação digital em todos os 144 municípios paraenses.
Beleza e Empreendedorismo: A Jornada de Fatiane Gaia
Outra trajetória que ilustra o impacto do empreendedorismo feminino no Pará é a de Fatiane Gaia, natural da comunidade de Pindobal Mirim, próxima a Cametá. Desde criança, trabalhou em casas de família e, ao mudar para Belém, encontrou na área da beleza uma forma de mudar sua realidade.
Sem experiência e poucos recursos, montou um pequeno salão improvisado em um quarto de sua casa, com equipamentos básicos. Apesar das dificuldades iniciais, inclusive de saúde, perseverou. Com o tempo, expandiu o negócio para a sala da casa da família e, depois, para um imóvel maior em Ananindeua, onde hoje lidera uma equipe de nove mulheres, muitas vindas do interior em busca de oportunidades semelhantes.
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Desafios e Oportunidades para Pequenos Empreendedores
Ainda que o potencial seja grande, desafios como gestão financeira, acesso a crédito, logística e adaptação tecnológica permanecem para os pequenos negócios no estado. A extensão territorial do Pará agrava questões logísticas e dificulta o acesso a informações qualificadas. O Sebrae/PA, presente em todo o estado por meio das Salas do Empreendedor e agências regionais, busca transformar essas dificuldades em oportunidades.
Fatiane reconhece a distância entre a menina do interior que trabalhava em casas de família e a empresária que lidera um negócio consolidado. Para ela, empreender é um processo que exige coragem constante, mas que também é apaixonante. Tanto Fatiane quanto Monique mostram que o empreendedorismo vai além da venda de produtos ou serviços: é uma ferramenta de transformação social e financeira.
Essas histórias são exemplos vivos de como o empreendedorismo feminino contribui para a geração de renda, emprego e fortalecimento da economia local no Pará, mostrando que, mesmo diante de adversidades, é possível reconstruir a vida e abrir caminhos para outras mulheres.
