A Memória em Movimento: Uma Reflexão Feminina
O que os nossos corpos recordam quando a história não está escrita, mas é vivida? Essa é a pergunta que permeia “Mulheres que habitam em mim”, o novo espetáculo da artista paraense Leylla Melo, que estreia nesta quinta-feira (23), às 20h, na Casa das Artes. O evento, com entrada gratuita, promete um profundo mergulho nas intersecções entre memória, feminismo e movimento, e contará também com a presença de um intérprete de Libras.
A obra que será apresentada é resultado de uma pesquisa iniciada durante o Mestrado em Artes da Universidade Federal do Pará (PPGARTES/UFPA). Leylla desenvolveu uma poética que conecta suas vivências pessoais com a memória coletiva das mulheres que a precederam. “A pesquisa foi um processo de escavação de memórias familiares, em especial das mulheres da minha linha ancestral”, comentou a artista. Ela utilizou referências de sua mãe, avó e bisavó, bem como arquivos pessoais e conversas familiares como pontos de partida para sua criação.
A influência da música na trajetória dessas mulheres também desempenha um papel crucial na construção do espetáculo. Leylla recorda que tanto sua bisavó quanto sua avó eram musicistas, e sua mãe, além de confeccionar figurinos desde a infância da artista, também dançava em um grupo folclórico e sempre trouxe criatividade para o ambiente familiar. “Minha mãe é multiartista e me influenciou musicalmente”, revelou.
Embora Leylla tenha estudado música, incluindo aulas de piano e canto, foi na dança que encontrou seu principal meio de expressão. “Eu transpus a linguagem musical para a linguagem da dança. A música que elas tocavam, seja no piano ou no órgão, eu trago para o meu corpo através da dança”, destaca. Essa transposição é uma maneira de honrar a herança artística que carrega.
Ao refletir sobre o papel social da mulher, a artista também avalia as transformações acontecidas ao longo das gerações. “As mulheres da minha família abriram caminhos, mesmo sem ter consciência disso. Se pudessem ver o presente, talvez questionassem as novas dinâmicas sociais e as opções de escolha que as mulheres têm hoje, mas também se orgulhariam das conquistas alcançadas”, ponderou Leylla.
A proposta do espetáculo é suscitar reflexões no público sobre o feminismo e as relações sociais contemporâneas. “Espero que, de alguma forma, possa não apenas fazer valer a presença dessas mulheres, mas também instigar quem assistir a refletir sobre o papel social da mulher e compreender que o feminismo é mais que uma bandeira, é uma forma de viver em sociedade”, complementou a artista.
Essa apresentação marca o início de uma temporada que se estenderá por vários meses. Estão programadas mais duas apresentações do espetáculo e uma oficina nos meses de maio e junho, com datas e locais a serem anunciados.
Oficina de Dança: Corpo Ancestral
Além do espetáculo, o projeto oferece uma atividade formativa aberta ao público. No dia 27 de abril, das 16h às 18h, também na Casa das Artes, será realizada a oficina “Corpo Ancestral”. Destinada a pessoas com ou sem experiência em dança, a oficina propõe uma exploração criativa fundamentada na ancestralidade como fonte de expressão e movimento. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o próprio dia 27 de abril, através de um formulário online.
O espetáculo e as oficinas fazem parte do projeto “Conexões de Si: Ancestralidade, Criação e Dança”, que foi contemplado pelo Edital de Fomento à Criação de Projetos Culturais de 2025, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB – Lei nº 14.399/2022).
Serviço
Estreia do Espetáculo: ‘Mulheres que habitam em mim’
Data: 23 de abril;
Horário: 20h;
Local: Casa das Artes (Praça Justo Chermont, 236 – Belém);
Entrada: Gratuita.
Oficina: “Corpo Ancestral”
Data: 27 de abril;
Horário: 16h às 18h;
Local: Casa das Artes;
Participação: Gratuita;
Inscrições: @fundacaopara e formulário online.
