Lapsam Emite Nota de Repúdio
A Liga Acadêmica de Psicologia para Promoção de Saúde Mental (Lapsam) manifestou sua indignação em relação ao evento intitulado “Escola de Cura”, que ocorreu no último dia 17 de abril no auditório da Unama Parque Shopping, em Belém. O grupo questiona a condução do encontro, que teve a liderança de Ricardo Gervazio e Laura Lopes, por associar práticas religiosas à atuação psicológica. Para a Lapsam, essa abordagem fere os princípios éticos e científicos que regem a profissão no Brasil.
Em sua apresentação em um site, Gervazio se descreve como pastor e psicanalista, alegando ter anos de experiência no cuidado emocional e espiritual de pessoas. Ele afirma atuar na restauração de indivíduos e famílias, ligando fé, ciência e pastoreio com responsabilidade. Por sua vez, Hellen Lopes Fróes, identificada como neuropsicóloga e missionária em seu perfil do Instagram, promove consultas e oferece um e-book sobre “mentes curadas”.
Posicionamento da Lapsam e Código de Ética
Na nota de repúdio, a Lapsam enfatizou que a Psicologia deve se fundamentar em ciência, evidências e ética profissional. O grupo reafirmou que não há espaço para a banalização do sofrimento psíquico, nem para o uso da Psicologia como ferramenta para legitimar práticas que carecem de respaldo científico. A entidade ressaltou a Resolução nº 7/2023 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que estabelece o caráter laico da prática psicológica. De acordo com este documento, psicólogos estão proibidos de associar conceitos psicológicos a crenças religiosas ou utilizar títulos profissionais que remetam a vertentes religiosas.
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O evento “Escola de Cura” prometia “curas sobrenaturais” e contava com profissionais que se apresentavam como psicanalista e neuropsicóloga, fazendo alegações em torno da “cura divina”. Para a Lapsam, essa estratégia atenta diretamente contra os princípios éticos da profissão e gera uma confusão epistemológica grave ao ocorrer em um ambiente universitário.
Consequências e Preocupações
Além de criticar a natureza do evento, a Lapsam advertiu sobre as possíveis consequências de tais discursos. Entre os riscos apontados estão a culpabilização daqueles que não conseguem alcançar a suposta cura, a interrupção de tratamentos psicológicos e psiquiátricos, assim como o incentivo à intolerância religiosa. A entidade fez referência ao artigo 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo, que proíbe práticas de sensacionalismo na atuação profissional.
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Outro ponto de destaque foi a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que validou a Resolução CFP nº 7/2023. O ministro Alexandre de Moraes argumentou que as restrições impostas não interferem na liberdade religiosa dos profissionais, mas sim asseguram o caráter científico da Psicologia como disciplina.
Demandas da Lapsam
Por fim, a Lapsam exigiu uma posição oficial da Unama em relação à realização do evento e solicitou que seja enviada uma representação ao Conselho Regional de Psicologia da 10ª Região (CRP-10) para investigar eticamente os profissionais envolvidos. O grupo também pediu que a universidade evite oferecer espaços para eventos que promovam práticas que sejam incompatíveis com o Código de Ética da Psicologia. Até o momento, a Unama não se pronunciou sobre o ocorrido.
