Desafios Atuais para Jovens Empresários no Pará
O consumo mais cauteloso e as dificuldades no acesso ao crédito são os principais desafios enfrentados pelos jovens empresários do Pará atualmente. Essa avaliação é de Alírio Gonçalves, presidente do Conselho de Jovens Empresários da Associação Comercial do Pará (Conjove/ACP). Em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, Gonçalves destacou que, embora o cenário econômico entre os associados do conselho indique estabilidade para 2026, a inflação persistente e as mudanças nos hábitos de compra continuam pressionando especialmente os setores de comércio e serviços.
O Papel do Conjove na Formação e Representatividade dos Jovens Líderes
Fundado em 1988, o Conjove atua há 38 anos com o objetivo de fortalecer jovens líderes para o mercado de trabalho, empreendedorismo e associativismo. Segundo Gonçalves, o conselho representa empresas cujos líderes têm até 40 anos e segue três pilares fundamentais: capacitação, representatividade e relacionamento. “Esses pilares garantem que os jovens empresários possam se desenvolver profissionalmente enquanto ampliam sua rede de contatos”, explica.
Sobre o contexto econômico local, o presidente afirmou que a realização da COP 30 em Belém foi um evento de grande impacto, gerando oportunidades e postos de trabalho. “Nossa rede interna de associados teve papel importante na criação de empregos, aquecendo a economia local”, afirma Gonçalves. Mesmo com a apreensão típica de um ano eleitoral, ele observa uma economia estabilizada entre os jovens empresários do conselho.
Consumo e Crédito São Principais Preocupações do Jovem Empreendedor
Quando questionado sobre os desafios que afetam o jovem empreendedor, Gonçalves destacou que o consumo e o crédito são os fatores que mais pesam atualmente. “A inflação tem impactado o bolso do consumidor, alterando seus hábitos de compra, principalmente nos setores de comércio e serviços”, avalia. O Conjove monitora essas mudanças para entender as prioridades dos consumidores, que têm priorizado itens essenciais diante do cenário econômico.
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Fonte: soudesaoluis.com.br
Carga Tributária e a Conscientização dos Empresários
Outro ponto de destaque é o peso da carga tributária sobre os pequenos e médios empresários. Gonçalves classifica a tributação como “altíssima” e reforça o papel do Conjove na conscientização do impacto dos impostos. O Feirão do Imposto, um dos maiores eventos nacionais de conscientização tributária promovido pela Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), é coordenado no Pará pelo Conjove.
“Ao mostrar ao consumidor o valor real do produto ou serviço sem impostos, evidenciamos a carga tributária embutida, que pode chegar a quase 60% no caso da gasolina comum”, exemplifica.
Empreendedorismo Jovem no Pará: Dados e Representatividade
De acordo com dados do Sebrae, 99% das empresas no Brasil são micro e pequenas empresas, e grande parte dessas é liderada por jovens empresários de até 40 anos. No Pará, o Conjove representa cerca de 305 jovens empresários, que atuam como microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). “Esses jovens estão na linha de frente do mercado, impulsionando a economia local mesmo diante das dificuldades”, destaca Gonçalves.
Reforma Tributária: Um Ano de Desafios e Capacitação
Sobre a reforma tributária em curso, o presidente do Conjove ressalta que 2026 é um “ano teste” para as mudanças que começarão a vigorar no próximo ano. O conselho tem investido em capacitações para que os empresários compreendam os impactos no cotidiano das empresas, especialmente para os microempreendedores. “É fundamental que tributaristas e contadores comuniquem as mudanças em uma linguagem acessível para os empresários”, afirma.
Prioridades para Melhorar o Ambiente de Negócios no Pará
Gonçalves aponta a desburocratização dos órgãos públicos como prioridade para facilitar a abertura e gestão de empresas pelos jovens empreendedores. Segundo ele, a simplificação dos processos administrativos é fundamental para estimular o empreendedorismo local. Além disso, o envolvimento com o conselho e a participação em eventos de capacitação são caminhos para melhorar a competitividade no mercado.
Posicionamento do Conjove sobre a Revisão da Escala 6/1
Desde 2025, o Conjove adota uma postura cautelosa em relação à proposta de revisão da escala 6/1 de trabalho. Gonçalves ressalta que o conselho não deseja redução da qualidade de vida dos trabalhadores, reconhecendo que descanso adequado pode elevar a produtividade. No entanto, ele alerta para os impactos econômicos das mudanças, como o aumento da folha de pagamento decorrente da possível necessidade de novas contratações para cobrir jornadas reduzidas. “Essa oneração pode levar a cortes em outros setores ou até demissões”, explica.
Direitos Trabalhistas e Sustentabilidade Empresarial
Para Gonçalves, os direitos trabalhistas são inegociáveis e essenciais para o trabalhador. Ele enxerga que o jovem empreendedor paraense tem uma visão equilibrada, buscando garantir esses direitos enquanto mantém a sustentabilidade da empresa. “A sustentabilidade do negócio é fundamental para que os direitos sejam respeitados a longo prazo”, defende.
Políticas Públicas e Incentivo ao Empreendedorismo Jovem
Entre as políticas públicas necessárias, Gonçalves destaca a urgência da desburocratização e o aumento do sublimite do Simples Nacional. Ele lembra que esse limite não é reajustado adequadamente desde 2018, o que prejudica o crescimento dos jovens empresários sob esse regime tributário. “A atualização desses valores é fundamental para acompanhar a inflação e o desenvolvimento dos negócios”, afirma.
Grandes Investimentos e Oportunidades para o Pará
Sobre projetos de grande impacto como a exploração de petróleo na Margem Equatorial, a Ferrogrão e a questão do Pedral do Lourenço, o presidente do Conjove vê oportunidades significativas para o estado. Ele destaca o potencial de geração de empregos e royalties, ressaltando a necessidade de equilíbrio ambiental. “Quem mais ganha com esses investimentos é o povo do Pará, desde que haja responsabilidade ambiental”, conclui Gonçalves.
