Obras em Belém: Desafios e Críticas
MANAUS (AM) – Menos de seis meses após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), as obras prometidas como legado para Belém (PA) já enfrentam sérios problemas. O Parque Linear da Doca, um dos principais projetos da cidade, tem se mostrado vulnerável a alagamentos constantes. Situação semelhante ocorreu com o Parque Nova Tamandaré, que também foi inundado durante o feriado de Tiradentes. Além disso, parte da passarela de uma importante avenida foi removida devido ao risco de desabamento.
O Parque Linear da Doca, situado no coração da capital paraense, foi orçado em mais de R$ 300 milhões, com recursos da Itaipu Binacional. Localizado às margens do rio Guamá, o espaço de lazer enfrenta inundações frequentes. No último final de semana, as chuvas intensas resultaram em alagamentos que dificultaram a mobilidade de veículos e pedestres na área.
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Em março, a obra não suportou a maré alta de 3,5 metros, um fenômeno comum durante essa época do ano, que coincidiu com as chuvas torrenciais. O resultado foi um significativo alagamento na avenida e arredores. Vídeos que circularam nas mídias sociais mostraram moradores nadando na ‘piscina a céu aberto’ que se formou na região. Historicamente, o local ocupado pelo Parque Linear da Doca já foi um igarapé, que vem sendo aterrado ao longo dos anos.
“A retirada do esgoto que flui para o canal e a ampliação da área foram boas medidas, assim como a instalação de uma nova comporta, que prometia ser mais eficiente. Contudo, sozinha, essa comporta não consegue impedir a entrada de água”, comenta a professora Eliana Schuber, do Instituto Federal do Pará.
O Governo do Pará, ao ser questionado sobre falhas no planejamento do parque, negou que houvesse problemas e afirmou que a obra inclui a implantação de uma rede de esgotamento sanitário, além da instalação de comportas que estariam operando adequadamente.
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De acordo com a administração estadual, o Parque Linear da Doca contribui para a ampliação da cobertura vegetal da região, com o plantio de 176 árvores e a introdução de 6.300 m² de flora em uma área que anteriormente carecia de vegetação.
Passarela Removida: Riscos Estruturais
Outro ponto preocupante é a passarela da Avenida Júlio César, localizada no bairro Marambaia, que foi retirada em 10 de março devido ao risco de desabamento. Este trecho faz parte do Parque Urbano Igarapé São Joaquim. Em outubro do ano passado, a passarela já havia enfrentado problemas, quando pelo menos três caminhões colidiram com a estrutura, que não tinha altura suficiente para evitar tais acidentes.
A Prefeitura de Belém esclareceu que seguiu as diretrizes do Conselho Nacional de Trânsito na definição da altura da passarela. O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA-PA) também confirmou que a altura livre da passarela estava dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente.
A gestão municipal, no entanto, afirmou que está avaliando a possibilidade de reinstalar a passarela ou construir uma nova estrutura para garantir a segurança dos usuários.
