Avanços em Governança Ambiental
O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), através da Comissão de Planos de Manejo (Coplam), tem obtido resultados notáveis na elaboração e atualização dos Planos de Gestão das unidades de conservação estaduais. Com uma abordagem focada na participação social, o trabalho inclui um diálogo ativo com comunidades tradicionais e a cooperação entre diversos atores institucionais envolvidos na gestão territorial.
No decorrer de 2025, a Coplam organizou 12 oficinas comunitárias e cinco setoriais, além de visitas técnicas e ações de mobilização social, alcançando diretamente 13 comunidades e envolvendo cerca de 420 participantes. Essa abordagem garantiu que os Planos de Gestão incorporassem as realidades locais, modos de vida tradicionais e as necessidades de ordenamento do uso do território, alinhando-se à legislação ambiental vigente.
“Estamos fortalecendo a governança ambiental no estado, promovendo diálogo com as comunidades e assegurando que nossas unidades de conservação possuam instrumentos de gestão modernos e eficazes, construídos socialmente. Esse é um passo fundamental para a proteção de nossos recursos naturais e para um desenvolvimento sustentável,” declarou o presidente do Instituto, Nilson Pinto, ressaltando o compromisso do Governo do Pará com a sustentabilidade.
Participação nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Vitória de Souzel, localizada em Senador José Porfírio, no sudeste do Pará, foi destacada como a área com o maior volume de ações no último ano. Foram realizadas seis oficinas comunitárias que envolveram oito comunidades, totalizando 221 participantes. Esses encontros evidenciaram o caráter participativo do processo de construção do Plano de Gestão da unidade, discutindo temas como o uso sustentável dos recursos naturais e conflitos territoriais, além das expectativas das comunidades em relação à regulamentação das atividades permitidas na reserva.
No Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Tabuleiro do Embaubal, também em Senador José Porfírio, uma oficina comunitária contou com a participação de uma comunidade e seis moradores, contribuindo para alinhar as diretrizes de gestão da unidade. Embora esta categoria de proteção seja integral, o processo priorizou a escuta dos atores locais e a coleta de subsídios técnicos e sociais essenciais para a elaboração do Plano de Gestão.
Avanços no Monumento Natural e na APA Ilha do Combu
O Monumento Natural Atalaia, situado em Salinópolis, na região nordeste do Pará, também registrou avanços significativos. A unidade contou com duas oficinas comunitárias e duas setoriais, envolvendo uma comunidade e 66 participantes. Esse trabalho fortaleceu o diálogo entre a população local, especialistas e representantes de instituições governamentais e não governamentais, estabelecendo bases sólidas para a implementação do Plano de Gestão.
Na Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Combu, em Belém, o ano de 2025 foi decisivo. Embora apenas uma oficina principal tenha sido realizada, ela marcou a conclusão do Plano de Gestão da unidade, que foi consolidado após ampla participação de comunitários e instituições. O documento, que é considerado essencial para o ordenamento territorial da APA, foi aprovado e publicado em diário oficial, com lançamento programado para março de 2026, atendendo a uma demanda antiga das comunidades locais.
Expectativas e Fortalecimento Institucional
De acordo com Lorena Viana, analista ambiental do Ideflor-Bio e membro da Coplam, 2025 foi um ano altamente produtivo para a política de planos de gestão. Ela ressalta que, além da finalização do Plano de Gestão da APA Ilha do Combu, os trabalhos para a RDS Vitória de Souzel, Revis Tabuleiro do Embaubal e Monumento Natural Atalaia foram iniciados. “Os processos foram marcados por ampla participação social e visitas de campo, e em 2026, esses planos avançarão para as oficinas principais, consolidação dos dados, aprovação e publicação,” explicou Viana.
Durante as oficinas e visitas técnicas, a equipe do Ideflor-Bio ouviu os anseios das comunidades, que esperam que os Planos de Gestão tragam regras claras sobre o uso do território e coíbam ocupações irregulares. Para os comunitários, esses planos representam esperança, organização e segurança jurídica sobre o que pode ou não ser feito nas unidades de conservação.
Planejamento Futuro e Continuidade dos Projetos
O planejamento para 2026 já prevê novos avanços, com o início dos Planos de Gestão do Revis Rios São Benedito e Azul, em Jacareacanga, e do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia, em Almeirim. O processo relacionado ao Revis em Rio Azul também teve seu grupo de trabalho publicado em 2025 e está em fase inicial, com reconhecimento de área e oficinas programadas para o próximo ano.
Kelly Nunes, analista ambiental do Ideflor-Bio, enfatiza que os resultados demonstram a maturidade institucional do órgão. “Os números refletem um esforço consistente do Ideflor-Bio para garantir processos participativos qualificados, construindo planos que atendem à realidade das comunidades e às diretrizes legais,” afirmou.
O diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação, Ellivelton Carvalho, destacou o impacto positivo dos Planos de Gestão na rotina dos comunitários. “Um plano consolidado, aprovado e construído de forma participativa se torna uma ferramenta estratégica, facilitando a tomada de decisão e orientando o uso do território, trazendo mais segurança para gestores e comunidades,” concluiu Carvalho.
