Reajustes nos Preços do Pescado em Belém
O primeiro trimestre de 2026 trouxe uma elevação significativa nos preços do pescado em Belém, com aumentos que variam de 10% a mais de 30%. Essa informação foi confirmada por um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), em colaboração com a Prefeitura de Belém. Apesar desse cenário de alta, comerciantes já observam uma redução gradual nos preços após a Semana Santa, um período tradicionalmente conhecido pelo aumento no consumo de peixes.
De acordo com a pesquisa realizada, 17 das 21 espécies de peixes analisadas apresentaram aumento de preço entre janeiro e março. As mais afetadas foram a pescada gó, que subiu 30,27%, seguida pela curimatã, com um aumento de 26,62%, e o filhote, que teve uma elevação de 23,26%. Outros peixes populares na região, como a sarda (21,67%), o bagre (19,31%) e a gurijuba (17,36%), também tiveram variações significativas nos preços.
Comparativo Mensal e Expectativas Futuras
Observando o comparativo mensal, a pesquisa apontou que entre fevereiro e março, 19 espécies apresentaram reajustes, refletindo a maior demanda durante a Semana Santa. Tradicionalmente, este é um período em que o consumo de pescado atinge seu pico, impactando diretamente nos preços.
No entanto, a realidade do mercado mostra que os consumidores estão começando a notar uma leve diminuição nos preços. Alessandro Vieira, um comerciante de peixes, destacou que os valores subiram consideravelmente no início do ano, mas vem apresentando uma queda gradual. “Em janeiro, os preços aumentaram demais. Aí vieram baixando devagar”, explicou.
Atualmente, espécies como a pescada amarela e o filhote estão sendo vendidas por cerca de R$ 40 o quilo, após terem alcançado preços muito mais altos nos meses anteriores. “O filhote era R$ 50, agora está R$ 40. A tendência é de queda com a aproximação do meio do ano, pois os peixes começam a aparecer em maior quantidade”, completou Vieira.
Escassez e Pressão nos Preços
A alta nos preços, conforme os comerciantes, também é explicada pela redução na oferta de pescado, especialmente durante o período do inverno amazônico. Elielson Rodrigues, outro peixeiro local, enfatizou que a escassez de peixes afeta diretamente os preços. “O peixe é igual ao açaí. Tem época de safra boa e época mais fraca. Agora, com as águas grandes, dá pouco peixe”, afirmou.
Rodrigues ainda mencionou que algumas espécies tiveram aumentos consideráveis, como a pescada amarela, cujo preço subiu de aproximadamente R$ 30 para até R$ 45 o quilo. Já o filhote, que costumava custar entre R$ 30 e R$ 35, agora chega a ser vendido por valores que variam entre R$ 45 e R$ 50.
Espécies como a dourada e a gurijuba também estão entre as mais encarecidas, conforme os dados do levantamento realizado e na percepção dos comerciantes locais.
Perspectivas e Tendências de Ajuste
Segundo o Dieese-PA, o aumento nos preços do pescado está diretamente relacionado à maior demanda durante a Semana Santa, um período em que o consumo de peixe é notoriamente elevado. Com o término dessa época festiva, há a expectativa de que os preços comecem a desacelerar, impulsionados pela redução na procura e pelo aumento gradual da oferta nos meses subsequentes.
Contudo, o instituto ressalta que, mesmo com essa expectativa de queda, os preços ainda permanecem em patamares elevados quando comparados ao acumulado do ano e especialmente aos últimos 12 meses. Isso indica que a pressão inflacionária no bolso do consumidor ainda deve ser sentida por um bom tempo.
