Alta dos preços do pescado em Belém supera inflação e pressiona orçamento
O preço do pescado em Belém segue pressionando o bolso dos consumidores, acumulando variações muito acima da inflação oficial em 2026. Levantamento conjunto do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA) e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon) revela que, nos cinco primeiros meses do ano, 22 das 23 espécies pesquisadas tiveram reajustes que ultrapassaram a inflação de 2,60% medida pelo IPCA no período. Na comparação dos últimos 12 meses, os aumentos também ficaram acima da inflação acumulada de 4,39%.
Apesar desse cenário de alta generalizada, vendedores da Feira da Pedreira relatam queda nos preços de algumas espécies nos últimos dias, atribuída ao início da safra, que ampliou a oferta e promoveu redução nos valores cobrados ao consumidor.
Aracu lidera alta com reajuste superior a 50% em 2026
Entre janeiro e maio de 2026, o Aracu apresentou a maior elevação, com aumento de 52,8% no preço. Outras espécies que também tiveram reajustes expressivos foram o Curimatã (29,02%), Filhote (27,66%), Serra (23,35%) e Pescada Gó (23,33%). Espécies como Xaréu, Bagre, Arraia e Gurijuba também registraram alta significativa, com variações entre 13% e 22%.
Na comparação anual, a Piramutaba lidera com 46,38% de aumento, seguida pelo Aracu (42,11%), Bagre (41,58%), Pescada Gó (41,02%), Serra (40,73%) e Cação (30,64%). Só entre abril e maio deste ano, 18 das 23 espécies pesquisadas ficaram mais caras, com destaque para Tamuatã (9,61%), Tucunaré (9,60%) e Xaréu (7,55%).
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Fonte: belzontenews.com.br
Safra amplia oferta e reduz preços de algumas espécies na Feira da Pedreira
Com o início da safra, vendedores locais observam uma queda nos preços de peixes bastante consumidos. José Ribamar, comerciante na Feira da Pedreira, afirma que a maior oferta contribuiu para a redução nos valores da dourada, pescada amarela e piramutaba. A dourada, por exemplo, teve o preço reduzido de cerca de R$ 35 para uma faixa entre R$ 25 e R$ 30 o quilo. A pescada amarela também ficou mais acessível, caindo de R$ 40 para entre R$ 30 e R$ 35.
Por outro lado, o filhote apresentou alta recente, subindo de R$ 35-40 para R$ 45-50 o quilo. Ribamar acredita que, com o avanço do verão, haverá mais oferta e os preços tenderão a cair novamente, já que o período favorece a captura.
Outro vendedor, Elielson Rodrigues, corrobora essa percepção, destacando quedas significativas nos preços da pescada gó, dourada e pescada amarela. Segundo ele, a gó, que estava em torno de R$ 28, passou a ser encontrada entre R$ 18 e R$ 20 o quilo. A dourada caiu de R$ 40 para R$ 25 e a pescada amarela está sendo vendida a R$ 30, valor inferior aos R$ 45 cobrados na entressafra.
Porém, Rodrigues também destaca o filhote como exceção negativa, com preços ainda elevados devido a uma safra fraca neste ano. O comerciante espera que o verão amazônico, que se intensifica entre julho e agosto, possa aumentar a produção e ajudar na redução dos preços, embora ressalte que fenômenos climáticos como o El Niño podem interferir na oferta.
Consumidores percebem estabilidade, mas reconhecem alta em algumas espécies
Entre os consumidores, a avaliação dos preços do pescado é variada. O administrador José Dutra, que compra peixe com regularidade, considera os valores intermediários, sem aumento significativo na pescada, sua espécie preferida, que oscila entre R$ 30 e R$ 40 o quilo. No entanto, ele concorda que o filhote teve aumento nas últimas semanas, refletindo o cenário observado pelos comerciantes.
Fatores que pressionam preços do pescado em Belém
O Dieese-PA aponta que a alta dos preços do pescado está ligada a uma série de fatores econômicos e sazonais. A menor oferta de algumas espécies em determinados períodos do ano, influências climáticas que dificultam a atividade pesqueira e o aumento dos custos de transporte, logística e operação ao longo da cadeia produtiva contribuem para os reajustes.
Além disso, dificuldades de abastecimento, custos elevados com combustíveis e despesas para conservação e armazenamento dos produtos impactam diretamente os preços finais ao consumidor.
Apesar dos dados indicarem elevações superiores à inflação, comerciantes apostam que a intensificação da safra nos próximos meses pode ampliar a oferta e possibilitar queda nos preços de algumas das espécies mais consumidas em Belém, aliviando o impacto no orçamento familiar.
