Preços do pescado recuam em Belém após três meses consecutivos
Os preços da maioria das espécies de pescado nos mercados municipais de Belém registraram queda em agosto de 2026, marcando o terceiro mês seguido de redução. O levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Belém (SEDCON/PMB), revelou que 16 das 23 espécies pesquisadas apresentaram preços menores em relação a julho.
No acumulado do ano, entre janeiro e agosto, 14 espécies tiveram redução de preço. Porém, quando o período é ampliado para os últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e agosto de 2026, a maioria dos pescados continua mais cara do que no mesmo período do ano passado.
Espécies com maior queda e alta em agosto
Dentre as espécies que mais reduziram preço em agosto, o xaréu lidera com queda de 9,71%, seguido pela arraia (-8,44%), cação (-8,35%), tucunaré (-7,85%), aracu (-6,20%), pescada gó (-6%), sarda (-5,90%), filhote (-5,88%), traíra (-5,29%) e corvina (-5,26%).
Por outro lado, sete espécies tiveram aumento no mês. O mapará foi o que mais subiu, com alta de 8,05%. Também ficaram mais caros o curimatã (5,19%), piramutaba (2,65%), tainha (2,19%), gurijuba (1,98%), pescada branca (1,51%) e tambaqui (1,01%).
Queda acumulada no ano e variações de preços
No acumulado de 2026, a tainha apresentou a maior redução, com queda de 17,30%. Em seguida vêm a pratiqueira (-11,11%), cação (-10,93%), dourada (-9,45%), tucunaré (-8,79%) e sarda (-8,32%). Também diminuíram os preços da arraia (-6,93%), tambaqui (-6,03%), piramutaba (-6%), tamuatá (-3,56%), pescada amarela (-3,46%) e pescada branca (-3%).
Já nove espécies acumularam altas no ano. O xaréu lidera com aumento de 20,16%, seguido por curimatã (14,74%), aracu (11,38%), traíra (10,03%), serra (10%), gurijuba (9,35%), mapará (2,96%), filhote (2,17%) e corvina (1,95%).
Comércio local e variação de preços nos mercados da Pedreira
No Complexo da Pedreira, tradicional ponto de venda de pescado em Belém, vendedores notam as mudanças no mercado. Alessandro Rodrigues, comerciante na região, destaca que o preço médio do pescado atualmente varia entre R$ 20 e R$ 25 o quilo. A chegada da safra da dourada do Amazonas contribuiu para a queda dos preços em agosto.
Alessandro informa que a pescada branca figura entre as opções mais acessíveis, com preço próximo a R$ 20 o quilo, enquanto a pescada amarela está entre as mais caras, custando entre R$ 35 e R$ 40 o quilo. Ele espera estabilidade nos preços em setembro e alta a partir de outubro.
Outro vendedor da Pedreira, Gleidison Alves, relata oferta limitada para algumas espécies, como pescada gó e dourada. Para as demais, o abastecimento está normal e os preços considerados bons. Segundo ele, a gurijuba subiu para cerca de R$ 35 o quilo, enquanto pescada e filhote são vendidos por aproximadamente R$ 35 e R$ 30, respectivamente.
Preços ainda superam os de agosto de 2025
Apesar da redução recente, o levantamento mostra que a maioria dos pescados permanece mais cara do que há um ano. A inflação oficial estimada para o período foi de cerca de 4,6%, mas várias espécies acumularam reajustes superiores.
A piramutaba teve a maior alta em 12 meses, com aumento de 37,12%. Outras espécies que sofreram aumentos expressivos são traíra (36%), curimatã (32,35%), pescada branca (19,71%), pescada gó (16,45%), serra (13,40%) e pratiqueira (13,06%).
Também subiram de preço gurijuba (12,38%), corvina (11,66%), tainha (11,33%), cação (8,72%), mapará (8,48%), xaréu (6,98%), bagre (6,30%), filhote (5,42%) e pescada amarela (2,79%).
Em contrapartida, sete espécies ficaram mais baratas em 12 meses: arraia (-14,76%), tucunaré (-11,70%), aracu (-8,72%), tambaqui (-5,79%), dourada (-5,55%), sarda (-3,26%) e tamuatá (-1,72%).
Oferta maior pressiona preços para baixo
Segundo o Dieese/PA, a acomodação dos preços nos últimos meses se deve ao aumento da oferta de pescado nos mercados e feiras livres. O fim do período de defeso de várias espécies e a normalização do abastecimento local contribuíram para ampliar a disponibilidade, reduzindo a pressão sobre os preços.
A demanda mais moderada após o primeiro semestre também favorece a redução em alguns casos, mas a variação não é uniforme. Fatores como sazonalidade, custos de comercialização e preferência do consumidor influenciam nos preços e oferta de cada espécie.
Além disso, os custos da cadeia, como combustível, gelo, conservação e transporte, continuam pressionando os preços, o que explica por que muitos pescados ainda custam mais do que há um ano, apesar das quedas recentes.
O consumidor em Belém encontra alívio no preço de várias espécies pelo terceiro mês consecutivo, mas a redução ainda não compensou os aumentos acumulados em 12 meses. A expectativa para setembro é de estabilidade, com o futuro dos preços dependendo da oferta e das condições de captura e abastecimento.
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Preços médios dos pescados em agosto de 2026
Aracu: R$ 19,68 (-6,20% no mês; +11,38% no ano; -8,72% em 12 meses)
Arraia: R$ 12,36 (-8,44% no mês; -6,93% no ano; -14,76% em 12 meses)
Bagre: R$ 14,17 (-4,13% no mês; -2,28% no ano; +6,30% em 12 meses)
Cação: R$ 18,33 (-8,35% no mês; -10,93% no ano; +8,72% em 12 meses)
Corvina: R$ 22,50 (-5,26% no mês; +1,95% no ano; +11,66% em 12 meses)
Curimatã: R$ 22,50 (+5,19% no mês; +14,74% no ano; +32,35% em 12 meses)
Dourada: R$ 24,16 (-0,25% no mês; -9,45% no ano; -5,55% em 12 meses)
Filhote: R$ 34,43 (-5,88% no mês; +2,17% no ano; +5,42% em 12 meses)
Gurijuba: R$ 30,42 (+1,98% no mês; +9,35% no ano; +12,38% em 12 meses)
Mapará: R$ 18,80 (+8,05% no mês; +2,96% no ano; +8,48% em 12 meses)
Pescada amarela: R$ 30,93 (-0,26% no mês; -3,46% no ano; +2,79% em 12 meses)
Pescada branca: R$ 18,10 (+1,51% no mês; -3,00% no ano; +19,71% em 12 meses)
Pescada Gó: R$ 16,28 (-6,00% no mês; -0,85% no ano; +16,45% em 12 meses)
Piramutaba: R$ 16,29 (+2,65% no mês; -6,00% no ano; +37,12% em 12 meses)
Pratiqueira: R$ 17,92 (-0,17% no mês; -11,11% no ano; +13,06% em 12 meses)
Sarda: R$ 19,29 (-5,90% no mês; -8,32% no ano; -3,26% em 12 meses)
Serra: R$ 22,00 (-4,60% no mês; +10,00% no ano; +13,40% em 12 meses)
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Tainha: R$ 21,42 (+2,19% no mês; -17,30% no ano; +11,33% em 12 meses)
Tambaqui: R$ 19,02 (+1,01% no mês; -6,03% no ano; -5,79% em 12 meses)
Tamuatã: R$ 21,16 (-3,51% no mês; -3,56% no ano; -1,72% em 12 meses)
Traíra: R$ 17,00 (-5,29% no mês; +10,03% no ano; +36,00% em 12 meses)
Tucunaré: R$ 26,88 (-7,85% no mês; -8,79% no ano; -11,70% em 12 meses)
Xaréu: R$ 13,95 (-9,71% no mês; +20,16% no ano; +6,98% em 12 meses)
Destaques dos preços em agosto de 2026
Maior preço médio: Filhote — R$ 34,43
Segundo maior: Gurijuba — R$ 30,42
Terceiro maior: Pescada amarela — R$ 30,93
Menor preço médio: Arraia — R$ 12,36
Segundo menor: Xaréu — R$ 13,95
Terceiro menor: Bagre — R$ 14,17
Maiores variações no mês de agosto
Maior alta: Mapará — +8,05%
Segunda maior alta: Curimatã — +5,19%
Maior queda: Xaréu — -9,71%
Segunda maior queda: Arraia — -8,44%
Terceira maior queda: Cação — -8,35%
