Chegada do Salon Du Chocolat ao Brasil: Um Marco para o Cacau Nacional
“Trazer o Salon du Chocolat para o Brasil é, na verdade, um trabalho de todos os produtores de cacau brasileiros. Nós somos apenas o instrumento para essa realização.” Com essas palavras, Marco Lessa, CEO do Grupo M21, destacou a importância da chegada desse evento internacional ao país. Com a edição programada para dezembro de 2026, a iniciativa promete reposicionar o Brasil no mercado global de cacau, confirmando um trabalho estratégico que se estende por décadas.
Apresentada de forma exclusiva à Forbes Agro, a novidade indica a inserção do Brasil em um seleto circuito internacional que inclui cidades como Paris, Tóquio, Nova York e Dubai. O Salon du Chocolat vai além de um simples evento; é uma plataforma de negócios que busca elevar a cadeia produtiva do cacau nacional, transpondo a lógica de commodity para um modelo de valor agregado.
Com um investimento que pode variar entre € 1 milhão e € 1,5 milhão (cerca de R$ 5,5 milhões a R$ 8 milhões), a realização da feira no Brasil envolve custos com licença, estrutura e a atração de profissionais renomados do setor. “Queremos colocar o cacau na agenda principal”, enfatizou Lessa, ressaltando que a proposta inclui não apenas a exposição, mas também rodadas de negócios e a formalização de contratos que podem impactar o setor no longo prazo.
Em Paris, o evento movimenta em média € 10 milhões, demonstrando o potencial econômico que o modelo pode gerar também no Brasil. Essa perspectiva se alinha ao crescimento do mercado de chocolate no país, que, segundo a consultoria indiana IMARC, foi avaliado em US$ 3 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 4,1 bilhões até 2034, com um crescimento anual de 3,84% entre 2026 e 2034.
O Papel do Grupo M21 na Transformação do Mercado
O Grupo M21, liderado por Marco Lessa, iniciou sua trajetória em Ilhéus, Bahia, no início da década de 1990, como uma agência de publicidade. Com o passar dos anos, a empresa diversificou suas operações, focando em eventos e projetos culturais voltados para o agronegócio. Essa experiência acumulada se tornou a base para um projeto audacioso: transformar o cacau brasileiro em um protagonista no cenário global.
A singularidade do Brasil reside na integração de sua cadeia produtiva, que abrange desde a produção de cacau até o consumo, uma característica rara em comparação com outros países. A expansão da cultura do cacau para 24 estados reforça essa posição, aumentando a base produtiva e reduzindo a dependência de regiões específicas.
Cidade Sede e Estratégias de Localização
No entanto, a definição da cidade que sediará o evento ainda está em aberto, com São Paulo, Salvador e Belém como candidatas. Cada uma dessas opções traz uma estratégia única. São Paulo representa o centro de consumo e negócios, Salvador traz uma conexão histórica com a produção, enquanto Belém simboliza a nova fronteira amazônica do cacau.
A escolha final deverá equilibrar fatores logísticos, mercado e posicionamento internacional, com uma decisão a ser divulgada até o final de abril. Apesar da chegada de uma marca global como o Salon du Chocolat, Lessa assegura que esse novo evento não substitui iniciativas locais, como o Chocolat Festival, que já existe desde 2009 e atua em sinergia com o Salon, complementando a estratégia de desenvolvimento da cadeia produtiva.
Da Crise à Valorização do Cacau Brasileiro
A história das feiras de cacau e chocolate promovidas pela M21 remonta ao colapso da cacauicultura baiana no final da década de 1980, quando a produção sofreu uma queda drástica devido à doença vassoura-de-bruxa. Esse cenário crítico impulsionou Marco Lessa a articular o que se tornaria o Chocolat Festival, com foco na verticalização da cadeia e na promoção de chocolates de origem, buscando criar identidade para o produto brasileiro.
“Percebi que o Brasil produzia chocolate de baixa qualidade. Muitas pessoas nem sabiam que o chocolate era feito de cacau”, relembrou Lessa, evidenciando um problema estrutural que ia além da produção. A inserção do Brasil no Salon du Chocolat em Paris foi uma estratégia de reestabelecer a reputação internacional do país e atrair chocolatiers que valorizassem a identidade do cacau brasileiro.
Visando a Expansão Internacional
O projeto que trará o Salon du Chocolat ao Brasil também abre portas para o expandir a atuação da M21 em outros países da América do Sul, como a Argentina, além de negociações para edições na Europa, em países como Portugal e Espanha. Contudo, o foco imediato permanece na consolidação do evento nacional. “Nosso principal objetivo agora é realizar o Salão no Brasil”, finalizou Lessa, reafirmando a intenção de posicionar o país como um protagonista em um mercado que valoriza cada vez mais a origem, a qualidade e a narrativa do produto.
