Desdobramentos Diplomáticos
Na última segunda-feira, dia 20, o governo dos Estados Unidos anunciou a solicitação para que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país. O delegado, que estava vinculado ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA, conhecido como ICE, teve sua situação revelada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano.
Segundo informações apuradas pela GloboNews, a reunião entre autoridades americanas e brasileiras durou aproximadamente uma hora. A encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, Kimberly Kelly, se encontrou com Christiano Figueiroa, diretor do Departamento de América do Norte do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A Embaixada não se pronunciou sobre os detalhes das conversas, afirmando apenas que não comentam diálogos diplomáticos privados.
Fontes diplomáticas confirmaram a veracidade do encontro, que gerou um clima de tensão nas relações entre os dois países.
Reação do Presidente Lula
Em uma viagem recente à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado sobre o pedido de saída do delegado. Lula afirmou que o governo brasileiro está analisando a situação para decidir a melhor forma de responder. “Fui informado hoje de manhã. Se houve um abuso americano em relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil”, declarou o presidente.
Além disso, Lula enfatizou que não aceitará “ingerência e abuso de autoridade” por parte das autoridades americanas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também se manifestou sobre o assunto, afirmando que a informação não tem fundamento e que aguardam esclarecimentos das autoridades dos EUA. Vieira ressaltou que o delegado estava atuando em colaboração com as autoridades americanas em Miami, e que todos estavam cientes de sua função.
O Pedidos de Expulsão
Sem identificar o delegado, o governo americano alegou em suas redes sociais que uma autoridade brasileira havia tentado “contornar pedidos formais de extradição”, sugerindo que isso era uma tentativa de promover “perseguições políticas” nos Estados Unidos. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, afirmou o comunicado do governo americano.
Marcelo Ivo de Carvalho foi nomeado para sua função em Miami em março de 2023, com uma missão que duraria dois anos, focando na identificação e prisão de foragidos da Justiça brasileira nos EUA. Recentemente, uma portaria prorrogou sua permanência até agosto deste ano.
Vale ressaltar que, em 13 de abril, o ex-deputado Ramagem foi detido pelo ICE em Orlando, na Flórida, alegadamente por questões migratórias. A Polícia Federal (PF) confirmou sua prisão, que ocorreu em um centro de detenção, mas ele foi liberado dois dias depois. Após a soltura, Ramagem celebrou a ajuda da administração Trump em um vídeo, afirmando que sua liberação foi uma decisão administrativa e não judicial.
Nova Liderança na PF
Antes mesmo da declaração do governo dos EUA, a PF já havia decidido nomear uma substituta para Marcelo Ivo de Carvalho. A delegada Tatiana Alves Torres assumirá a função de oficial de ligação junto ao ICE em Miami. Esta nomeação foi publicada no Diário Oficial da União no dia 17 de março, e a mudança ocorre enquanto Carvalho ocupava o cargo desde 2023.
Tatiana Alves Torres, delegada da Polícia Federal desde 2002, é graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e possui especialização em Ciências Penais e Segurança Pública. Ao longo de sua carreira, ela trabalhou nas áreas de crimes ambientais, financeiros, crime organizado e migração. Atualmente, ocupa o cargo de delegada de classe especial e é coordenadora-geral de Gestão de Processos da PF.
A nova delegada já participou de treinamentos internacionais, incluindo um curso na National Defense University, nos Estados Unidos, em 2022, e o Programa de Treinamento Policial da Interpol, em 2008. Em 2023, Tatiana foi superintendente da PF em Minas Gerais e é fluente em inglês e francês, além de ter conhecimento intermediário de espanhol.
