O novo protagonismo das mulheres maduras no empreendedorismo
Dados recentes do DataSebrae revelam que, pela primeira vez na história do país, um terço dos novos empreendedores brasileiros tem mais de 45 anos. Esse fenômeno ganha força no nordeste do Pará, em Barcarena, com a cooperativa Estilo Barcarena. Formada por 25 mulheres, a iniciativa oferece uma alternativa concreta para recomeço profissional e geração de renda, especialmente para quem tem mais de 40, 50 e até 60 anos.
O grupo nasceu a partir de capacitações em costura e gestão promovidas no município. Hoje, a cooperativa produz uniformes profissionais e brindes institucionais personalizados, funcionando de maneira coletiva e autogestionária, o que reforça seu impacto social e econômico local.
Autonomia e valorização pessoal como pilares do cooperativismo feminino
Para muitas das participantes, a experiência vai além do aspecto financeiro. O espaço representa também um resgate da autoestima e um reconhecimento dentro da própria família. Antônia Iglede do Nascimento Pereira, que completa 56 anos, resume essa transformação: “Eu vejo isso aqui como uma faculdade”. Antes da cooperativa, trabalhava com vendas e tinha contato informal com artesanato, mas sem experiência em costura. A decisão de participar do curso foi motivada pela curiosidade e acabou abrindo uma nova perspectiva profissional.
Ela destaca que, além do aprendizado técnico, a percepção familiar sobre seu trabalho mudou significativamente. “Tudo que eu faço aqui em casa eles acham lindo, é uma realização para meu esposo e meu filho me ver fazendo algo que amo”, relata. Para Antônia, a costura se tornou sinônimo de crescimento pessoal e independência.
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Reinvenção e pertencimento para mulheres acima de 60 anos
Outro caso que evidencia a importância da cooperativa é o de Luísa Estanislau, de 60 anos. Após se mudar para Barcarena e enfrentar um período de isolamento social, ela encontrou no grupo não apenas uma ocupação, mas um espaço de convivência e acolhimento. “Quando cheguei aqui, pensei que era só um curso de corte e costura. Não imaginei que ia se tornar tudo isso”, conta.
Luísa enfatiza que a amizade construída entre as cooperadas é um dos principais motivadores para sua permanência. “Aqui a gente faz amizade. Quando não tem nada, a gente sente falta e vem para cá mesmo assim. Não é só renda, é convivência também”, afirma. Essa vivência coletiva é reforçada pela ex-professora Maria Madalena Rodrigues da Costa, que após a aposentadoria buscou na cooperativa uma forma de se manter ativa e integrada.
Mulheres fortalecem o cooperativismo brasileiro
Segundo o Anuário do Cooperativismo, as mulheres representam 41,8% dos cooperados no Brasil, ocupando mais da metade (52,7%) dos empregos diretos gerados pelas cooperativas. Na Estilo Barcarena, as tarefas são divididas entre corte, costura, acabamento, revisão e organização, valorizando cada etapa do processo.
Antônia ressalta o equilíbrio dentro do grupo: “Ninguém é mais importante que ninguém aqui. Quem corta, quem costura, quem desmancha, todo mundo tem a mesma importância”. Esse modelo coletivo fortalece a autonomia e o senso de pertencimento entre as participantes.
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Perspectivas de crescimento e consolidação no mercado local
Regiane Pena, presidente da cooperativa, destaca a união das mulheres de diferentes bairros em torno de um objetivo comum: o crescimento profissional coletivo. “Foi uma oportunidade que chegou para a gente como um presente, porque iniciar um empreendimento não é fácil”, afirma.
O foco agora é consolidar a Estilo Barcarena no mercado e ampliar a geração de renda para as cooperadas. “Queremos mostrar nosso trabalho, nosso desempenho e captar cada vez mais oportunidades para todas nós”, diz Regiane. Ela reforça que o crescimento da cooperativa depende da colaboração mútua: “Quando uma cresce, todas crescem juntas”.
Entre máquinas de costura, linhas e tecidos, as cooperadas da Estilo Barcarena construíram uma nova carreira em uma fase da vida em que o retorno ao mercado de trabalho ainda é um desafio para muitas mulheres. A iniciativa prova que, com apoio e capacitação, é possível transformar experiência de vida em fonte sólida de renda e autonomia.
