Nomeação que gera expectativas e debates
Daniel Santos, conhecido como Dr. Daniel, eleito governador do Pará no primeiro turno, anunciou Vinicius Borba, autointitulado “advogado do agro“, como futuro secretário do meio ambiente. A aliança política entre Santos, do Podemos, e o PL bolsonarista marcou a eleição, com Borba atuando como um dos principais apoiadores na região sudoeste do Pará.
Perfil e atuação controversa de Vinicius Borba
Além de advogado, Borba é proprietário de fazendas em Canaã dos Carajás e na Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, um território estadual onde 43% da área é ocupada pela agropecuária. Fundador da Associação dos Produtores Rurais Independentes da Amazônia (Apria), ele participou em junho de 2026 de uma ofensiva digital contra ações de fiscalização do ICMBio na Estação Ecológica Terra do Meio e na Floresta Nacional do Jamanxim. Na época, atuou defendendo Pedro Ferreira Lima, conhecido como Pedro Coco, um posseiro que teve 364 bois apreendidos em área de proteção ambiental, atividade proibida na unidade de conservação. As ações judiciais movidas por Borba em defesa de Lima ainda não obtiveram sucesso.
Borba também representou três candidatos às eleições de 4 de outubro, entre eles Dr. Daniel, que foram autuados pelo Ibama entre 2004 e 2026. Em 2023, ele próprio foi multado pelo Ibama por supostamente dificultar ações de fiscalização ambiental, multa que contesta.
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Campanha e propostas no sudoeste do Pará
O ponto de partida da campanha de Dr. Daniel na região ocorreu em junho, durante evento promovido pelo Siralta, sindicato dos ruralistas, e pelo movimento Direita Xingu em Altamira. Na ocasião, foram defendidas a redução das atribuições dos órgãos ambientais e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O candidato prometeu anistiar multas estaduais aplicadas a pequenos proprietários por infrações ambientais, como o desmatamento. No Pará, propriedades consideradas pequenas chegam a até 300 hectares.
Compromisso com o diálogo e controle ambiental
Em contato com SUMAÚMA, Borba solicitou um voto de confiança e afirmou que pretende manter diálogo com todos os setores, inclusive ambientalistas. Reforçou que sua nomeação, a vitória de Dr. Daniel e uma possível eleição do candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro não significam uma “carta branca” para o desmatamento ou garimpo ilegal. Propôs um pacto aos fazendeiros para suspender por um ano práticas como desmatamento e queimadas, criando um ambiente para negociação entre setor produtivo, governo, ONGs, Ministério Público Federal e a mídia nacional e internacional.
Posicionamento em relação a terras indígenas
Borba divulgou um vídeo direcionado a invasores da Terra Indígena Apyterewa, alertando para que não retornem à área de onde cerca de 3 mil pessoas e 60 mil bois foram retirados em operação federal de 2024. Também reconheceu que a entrada de não indígenas em Ituna Itatá, terra ainda não demarcada, é ilegal conforme portaria vigente. Ressaltou que a questão só será resolvida com uma audiência judicial na Vara Federal de Altamira, reunindo produtores rurais, Funai e Ministério Público Federal para buscar entendimento. Até lá, a sentença judicial que confirma a proibição permanece válida.
