Uma Realidade de Luta e Superação
No estado do Pará, a realidade do mercado de trabalho revela um cenário complexo, onde mais da metade dos lares é chefiada por mulheres. Dados do DIEESE/PA, baseados na PNAD Contínua do IBGE no quarto trimestre de 2025, indicam que 52,09% dos domicílios paraenses têm mulheres como responsáveis. Neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, o g1 destaca as histórias, o cotidiano e as aspirações dessas mulheres que sustentam suas famílias nas feiras e ruas da Grande Belém.
O trabalho informal, apesar das longas jornadas, também proporciona uma autonomia significativa, permitindo que muitas mulheres organizem seus horários. No entanto, essa liberdade vem acompanhada da falta de garantias, como férias e 13º salário, o que torna a rotina ainda mais desafiadora. Essa dualidade entre esforço e independência é um aspecto crucial da vida profissional de várias paraenses.
Famílias e Tradição: A História de Maria Fátima
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Um exemplo emblemático pode ser encontrado no Ver-o-Peso, famoso mercado de Belém, onde o trabalho muitas vezes começa dentro da própria família. Maria Fátima da Silva Ferreira, de 55 anos, iniciou sua jornada no mercado há 37 anos, quando, ainda adolescente, seguiu os passos da mãe, Osvaldina.
“Comecei a trabalhar aqui aos 14 anos”, compartilha Maria Fátima, agora à frente de um box de refeições, onde construiu sua trajetória de vida e sustentou sua família. “O trabalho no Ver-o-Peso me ajudou a criar meus filhos. Foi daqui que saiu tudo.” Sua rotina é intensa, começando às 6h da manhã e se estendendo até o fim do dia, com mais de 11 horas dedicadas ao trabalho. “Trabalhamos aqui e depois em casa também”, completa orgulhosa.
Essa dedicação inabalável é uma característica marcante das mulheres que trabalham no local, que muitas vezes não têm uma rotina fixa de descanso. Maria Fátima, embora trabalhe todos os dias, ocasionalmente tira um dia de folga, mas destaca a importância de sua ocupação. “Tinha que ser o Dia das Trabalhadoras.”
A Realidade do Trabalho Doméstico em Pará
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Outra faceta do trabalho feminino no Pará é o serviço doméstico, uma ocupação que apresenta altos índices de informalidade. Cerca de 196 mil pessoas atuam neste setor, sendo que 85,2% delas não possuem carteira assinada, de acordo com o mesmo estudo do DIEESE/PA mencionado anteriormente.
Maria Elisete Souza da Silva Brito, de 47 anos, é uma dessas mulheres. Moradora de Ananindeua, ela atua como diarista em diferentes residências. “Já trabalhei de carteira assinada, mas pra mim ficou mais flexível trabalhar como diarista”, explica. Contudo, essa flexibilidade não garante estabilidade financeira. “É a minha principal fonte de renda, mas não dá pra sustentar uma casa só com isso.”
A rotina de Maria Elisete começa antes do amanhecer. “Levanto por volta de 5h30, tomo café, preparo a criança pra escola e depois vou trabalhar.” A rotina envolve longos deslocamentos, e ela pedala por mais de uma hora diariamente para chegar aos trabalhos em Belém, enfrentando um trânsito complicado.
“Gostaria que houvesse mais respeito dos motoristas com os ciclistas. O trânsito é pesado, e precisamos andar devagar por segurança. Isso acaba fazendo com que cheguemos atrasadas no trabalho”, desabafa ela, que ainda precisa administrar as tarefas de casa ao voltar do trabalho. “É complicado, mas tenho a ajuda da minha filha. Ela é meu porto seguro.”
Informalidade no Setor de Transporte: O Caso de Silvana
Além dos mercados e serviços domésticos, a informalidade também se manifesta nas ruas, como é o caso de Silvana Viana Borges, de 53 anos, que trabalha como taxista. “Minha rotina é exaustiva. Trabalho à noite com clientes da cooperativa e depois sigo com o trabalho em casa”, conta Silvana, que está na profissão há 16 anos e depende exclusivamente dessa atividade para sustentar seus filhos.
A maternidade foi um dos fatores que motivaram Silvana a entrar nessa profissão, buscando flexibilidade de horários. “No começo houve resistência, porque era uma profissão muito masculina. Mas fui me adaptando e construindo minha clientela”, relata. “Dá pra viver, mas com muito esforço, dedicação e sacrifício.”
