Oficinas promovem manejo consciente do fogo na agricultura familiar
Mais de 214 agricultores, técnicos e gestores públicos de 21 municípios do Pará participaram de oficinas dedicadas ao manejo integrado do fogo (MIF). A iniciativa conjunta do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), da Secretaria de Estado de meio ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) e da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf) tem como objetivo preparar a agricultura familiar para o uso seguro do fogo, evitando que práticas tradicionais se transformem em incêndios florestais. O projeto prioriza municípios como Anapu, Uruará, Santarém e Tomé-Açu, onde as atividades ocorreram entre 10 de agosto e 3 de setembro, reunindo o público para debater estratégias eficazes de manejo.
Contexto climático e prevenção são temas centrais
O avanço das mudanças climáticas e a influência do fenômeno El Niño intensificam a temporada de seca, elevando o risco de incêndios. As oficinas abordaram esses desafios, destacando a importância de preparar agricultores para a temporada crítica. Jarlene Gomes, pesquisadora de Políticas Públicas do Ipam, reforça a necessidade de compreender a dinâmica do fogo em cada região e como a população rural pode se organizar para prevenir desastres ambientais. A cooperação entre governo federal, estadual e municipal foi ressaltada como fundamental para minimizar impactos socioeconômicos e ambientais.
Conteúdo das oficinas e alternativas ao uso do fogo
Durante as oficinas, os participantes estudaram materiais como as cartilhas “Manejo Integrado do Fogo: caminho para conviver com o fogo” e “Conviver com o fogo é possível?”, que apresentam estratégias para a gestão planejada do fogo. O debate incluiu o conceito de “regime do fogo”, que varia conforme a extensão, frequência, intensidade e época do ano, além dos efeitos de pressões como desmatamento, exploração madeireira ilegal, mineração e especulação fundiária.
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Os encontros trataram também das autorizações para queimas, planejamento agropecuário para períodos de estiagem e sistemas de monitoramento e alerta. Alternativas produtivas como a recuperação de áreas degradadas e os Sistemas Agroflorestais (SAFs) foram apresentadas como modelos eficazes para reduzir a dependência do fogo. Em Tomé-Açu, por exemplo, os SAFs já são referência na prática, promovendo um manejo do solo sem queimadas, segundo Edivan Carvalho, pesquisador e coordenador estadual do Ipam no Pará.
Construção de Planos Municipais e integração institucional
Ao final de cada oficina, os participantes dedicaram-se à elaboração dos Planos Municipais Integrados de Fogo e Manejo (PMIFMs), onde mapearam os riscos prioritários de seus territórios e discutiram arranjos institucionais locais para o controle dos focos de calor. Diana Castro, da Semas-PA, destaca que essas oficinas são continuidade de um esforço maior, que contou com um workshop em Belém para alinhar estratégias da política nacional e estadual de manejo do fogo.
Impactos ambientais do fogo descontrolado
O uso inadequado do fogo provoca alterações graves na vegetação, fauna e solo, além de aumentar a erosão e modificar a infiltração da água no terreno. Incêndios amplos fragmentam habitats e dificultam o deslocamento de espécies na floresta. Cristiano Martins, da Seaf-PA, ressalta que os eventos climáticos extremos atingem diretamente a agricultura familiar, tanto do ponto de vista produtivo quanto econômico e social. Para ele, é essencial produzir conhecimento conjunto para manejar o fogo de forma sustentável e organizada.
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Brigadistas e monitoramento para prevenção e combate
Além das capacitações, o combate aos incêndios no Pará envolve brigadas florestais que atuam da prevenção ao combate direto. As equipes contam com monitoramento por satélite e uma sala de situação integrada para identificar e responder rapidamente aos focos de calor. Marcelo Ferreira, brigadista em Tomé-Açu, explica que o trabalho é focado na detecção precoce e na avaliação do tipo de fogo, diferenciando queimadas autorizadas, roças de subsistência ou incêndios fora de controle. O apoio das comunidades locais é fundamental para o sucesso das ações.
As oficinas enfatizaram a prática da queima controlada, que requer planejamento cuidadoso, avaliação do terreno e das condições climáticas, além de medidas rigorosas de segurança. Essa abordagem permite o uso do fogo como ferramenta agrícola sem comprometer a integridade ambiental.
