Alta no preço do caranguejo em Belém impacta consumidores e vendedores
Em maio, o preço do caranguejo em Belém apresentou aumento significativo, influenciado pela valorização do crustáceo nas regiões produtoras e pelos custos de transporte até a capital. Vendedores locais confirmam que, mesmo com os valores mais altos, a procura pelo produto permanece intensa entre os consumidores, especialmente entre os apreciadores fiéis. Especialistas avaliam que o preço deve se estabilizar, mas sem quedas expressivas no curto prazo.
Valorização do produto nas regiões de origem e impacto no mercado local
Álvaro Paiva, caranguejeiro de Belém, explica que o reajuste reflete diretamente o que ocorre em Soure, uma das principais áreas de captura do caranguejo. Segundo ele, o preço ficou estável entre março e abril, mas subiu em maio, passando de R$ 7 para uma faixa entre R$ 8 e R$ 10. “A gente tem que repassar o aumento porque o preço do caranguejo já subiu em Soure”, detalha Paiva.
Apesar da alta, a demanda não cede. “As vendas continuam boas, com muita gente comprando, principalmente os fanáticos por caranguejo”, comenta o caranguejeiro. Outro vendedor, Ronald Gatinho, confirma o aumento e destaca que o valor varia conforme o tamanho do crustáceo, que está em sua fase de maior engorda. “O preço da unidade aqui varia entre R$ 8 e R$ 12. O caranguejo está gordo, é a época dele”, afirma.
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Oferta limitada e desafios logísticos elevam os preços
O período de defeso, que impede a captura para garantir a reprodução do animal, já terminou. No entanto, Paiva alerta que a oferta será limitada nos próximos meses porque o caranguejo passa por fase de troca de casca. “Em junho, ele começa a tapar, ou seja, entra no buraco para trocar a casca. Isso vai reduzir bastante a oferta em junho e julho”, explica.
Além disso, todos os caranguejos comercializados em Belém vêm de regiões como Soure, São Caetano de Odivelas, Marajó, Vigia e Curuçá. A logística, portanto, encarece o produto final. “O aumento do preço do caranguejo e do frete nos obriga a repassar o valor ao consumidor, caso contrário não conseguimos lucro”, comenta Paiva.
Perspectivas para o preço e impacto no consumidor
Everson Costa, economista e supervisor técnico do Dieese Pará, avalia que, com o fim do defeso, o preço tende a se acomodar e até apresentar leve queda devido ao aumento da oferta. “Esse cenário abre possibilidade para um valor mais regular”, afirma.
Porém, ele ressalta que os custos logísticos e a forte demanda devem impedir uma redução significativa no preço. “Mesmo com preço um pouco mais atrativo, o custo de transporte e distribuição nas feiras pesa, e quem acaba pagando essa conta é o consumidor”, contextualiza o economista.
Procura intensa mantém movimento nas feiras e mercados
Apesar da alta, a movimentação nas feiras de Belém segue intensa. Paiva detalha a rotina de vendas: “Em um dia, vendemos entre 300 e 400 caranguejos. Recebo 10 sacas, cada uma com cerca de 100 unidades, duas vezes por semana para abastecer a demanda no fim de semana”, explica.
O cenário revela que, mesmo com o impacto no preço, o caranguejo continua sendo um produto muito procurado na capital paraense, reforçando seu peso na economia local e no consumo regional.
