Desafios na transição energética
O presidente designado da COP31, Murat Kurum, que também é ministro do Clima da Turquia, abordou nesta quinta-feira (30) a complexidade da transição para energias limpas. Durante sua declaração à AFP, Kurum ressaltou que simplesmente solicitar que as nações abandonem os combustíveis fósseis é ‘irrealista’. Segundo ele, a cúpula climática que ocorrerá em Antália deverá enfatizar o desenvolvimento de um roteiro para essa transição, sem impor uma eliminação abrupta dos combustíveis fósseis.
Kurum fez suas observações em um momento em que a guerra no Oriente Médio intensifica as discussões sobre a urgência de implementar alternativas energéticas sustentáveis. A conferência climática COP30, realizada no ano passado em Belém do Pará, resultou em um documento final, mas sem uma menção clara sobre a saída dos combustíveis fósseis, limitando-se a sugerir um ‘roteiro’ voluntário para essa transição.
Expectativas para a COP31
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Durante uma reunião de alto nível na Agência Internacional de Energia (IEA) em Paris, Kurum afirmou que a COP31 ‘proseguirá com a execução’ do roteiro estabelecido pelo Brasil. No entanto, ao ser questionado se a expressão ‘combustíveis fósseis’ apareceria nas decisões finais, ele enfatizou que o foco não deve estar em apenas incluir termos em um documento.
Em um contexto de promessas feitas por quase 200 países na COP28 de avançar na transição energética, a realidade é que a implementação dessas promessas ainda enfrenta grandes desafios. A recente conferência na Colômbia, que aconteceu em 29 de novembro, viu quase 60 países se unirem em esforços para acelerar a rejeição aos combustíveis fósseis, destacando a urgência desse compromisso.
Trabalho em Conjunto e Financiamento Climático
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Com uma formação em urbanismo, Kurum adotou um tom diplomático ao discutir temas sensíveis nas cúpulas climáticas. Ele afirmou que ‘cada país depende de combustíveis fósseis’, tornando a eliminação imediata uma expectativa irrealista. O ideal seria que as nações trabalhassem paralelamente no uso de energias renováveis, buscando reduzir sua dependência de fontes não renováveis.
Kurum também abordou um tema que frequentemente gera divisões nas reuniões climáticas: o financiamento climático. Ele admitiu que as promessas de países desenvolvidos para apoiar nações em desenvolvimento ainda não atingiram o ‘nível desejado’, enfatizando a necessidade de um alinhamento entre as expectativas dos dois lados.
Expectativas na COP31 em Antália
Após discussões sobre a sede da COP31, a Austrália acabou liderando as negociações, enquanto a Turquia preside a cúpula que ocorrerá no resort de Antália. Kurum destacou que, por ser o presidente da COP31, a Turquia terá um papel essencial em todos os aspectos do encontro, apesar da Austrália liderar as negociações em coordenação.
O ministro do Clima da Turquia declarou que está cooperando de forma consistente com seu homólogo australiano, Chris Bowen, que também está à frente das discussões. Kurum expressou sua esperança de que a COP31 se concentre na ‘sinceridade’ e na implementação de acordos reais, diferentemente de promessas vazias.
Ele também manifestou otimismo em relação ao desenvolvimento do evento, afirmando que não haverá surpresas em Antália. ‘Na COP31 em novembro, tudo será planejado e decidido com antecedência’, finalizou Kurum, destacando a importância de um encontro produtivo e orientado a resultados.
